A suspensão da fabricação e comercialização de alguns produtos da marca Ypê teve origem em denúncias apresentadas pela multinacional Unilever à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) entre outubro de 2025 e março deste ano.
De acordo com documentos revelados pela Folha de S.Paulo nessa quinta-feira (14), a rival da fabricante brasileira apontou suspeitas de contaminação microbiológica em detergentes e lava-roupas produzidos pela Química Amparo, empresa responsável pela marca.
A denúncia se baseia em análises laboratoriais contratadas pela Unilever, que teriam identificado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras dos produtos. Segundo a multinacional, o resultado indicaria possível falha nos processos de fabricação e risco potencial à saúde dos consumidores.
Em manifestação ao jornal, a empresa afirmou que realiza testes periódicos tanto em seus produtos quanto, eventualmente, em itens de concorrentes, classificando o procedimento como prática comum no setor. A companhia acrescentou que, quando identifica situações consideradas relevantes, comunica os órgãos responsáveis para apuração.
A Anvisa confirmou que recebeu as denúncias por meio da plataforma oficial Fala.BR e instaurou procedimento investigativo contra a Química Amparo. O órgão ressaltou que a legislação sanitária brasileira exige que produtos colocados no mercado sejam seguros para uso e consumo, prevendo sanções administrativas em caso de irregularidades.
Após o recebimento das representações, técnicos da agência realizaram duas inspeções na unidade fabril da empresa, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. Como resultado, foi determinada neste mês a suspensão temporária da fabricação e venda de detergentes, lava-roupas e desinfetantes líquidos produzidos no local.
A Química Amparo contestou as acusações e negou qualquer irregularidade. Em nota, a empresa argumentou que não existe norma da Anvisa que proíba a presença da bactéria em produtos saneantes e questionou a imparcialidade dos testes apresentados pela concorrente, classificando os estudos como unilaterais e sem a isenção necessária.
Wanessa Gommes
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