Em meio à pior crise financeira de sua história, os Correios receberam autorização do Governo Federal para ampliar sua área de atuação e buscar novas fontes de receita. A estatal poderá comercializar seguros, títulos financeiros, bônus promocionais e até operar no setor de telefonia celular. A medida faz parte de uma estratégia para tentar reduzir os prejuízos acumulados pela empresa, que encerrou o último ano com um déficit de R$ 8,5 bilhões, valor mais de três vezes maior do que o registrado em 2024.
A ampliação das atividades já vinha sendo discutida pelo governo, que pretende transformar os Correios em uma plataforma de serviços financeiros e comerciais. A nova portaria, oficializada na última semana, autoriza a estatal a vender ou intermediar seguros de automóveis, vida, residência e viagem, além de consórcios, títulos de capitalização, aplicações financeiras, créditos, certificados, bônus promocionais, cupons e vale-benefícios. A expectativa é que parte desses serviços seja oferecida em parceria com instituições financeiras, utilizando a estrutura física já existente da empresa em todo o país.
“A implantação dos serviços de que trata esta Portaria será precedida de estudo que demonstre sua viabilidade econômico-financeira”, disse o governo. Além do setor financeiro, os Correios também poderão atuar como operadora virtual de telefonia celular, mediante parcerias comerciais e seguindo as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A estatal ainda recebeu autorização para ampliar operações na área logística, incluindo serviços de armazenagem, gestão de compras, movimentação, recebimento e separação de cargas e mercadorias.
A busca por novas receitas ocorre em meio ao reconhecimento do próprio governo de que a empresa poderá precisar de ajuda financeira para continuar funcionando nos próximos anos. Em março, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o governo já prevê um aporte de capital nos Correios em 2027. A transferência de recursos deverá ser feita diretamente pelo Tesouro Nacional e já estaria prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado em dezembro de 2025 entre a estatal e um consórcio de bancos.
Enquanto tenta reorganizar as contas, os Correios também vêm adotando medidas emergenciais para reduzir despesas e equilibrar as operações. Entre as ações estão programas de demissão voluntária, fechamento de até mil agências consideradas deficitárias e venda de imóveis, iniciativa que pode render aproximadamente R$ 1,5 bilhão aos cofres da empresa.
Os balanços financeiros da estatal apontam que grande parte da estrutura dos Correios opera sem lucro devido à obrigação legal de manter o serviço postal em regiões remotas do país. Segundo o relatório contábil referente ao segundo trimestre de 2025, cerca de 71% das localidades atendidas funcionam apenas para garantir a missão pública da empresa, mesmo sem retorno financeiro.
Leandro Soares
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