A nova versão da Caderneta da Gestante, apresentada pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (12), passou a enfrentar críticas de grupos conservadores e movimentos pró-vida após incluir referências ao aborto e utilizar expressões como “pessoas que gestam” em alguns trechos do conteúdo. De acordo com reportagem do jornal Gazeta do Povo, opositores à abordagem adotada afirmam que o material segue uma linha de linguagem associada a pautas defendidas por movimentos progressistas e entidades internacionais ligadas à saúde reprodutiva.
A caderneta foi disponibilizada pelo Ministério da Saúde em formatos físico e digital. O objetivo do documento é facilitar o acompanhamento de informações relacionadas ao pré-natal, parto e pós-parto, além de concentrar orientações sobre saúde mental, violência obstétrica, luto materno e direitos das gestantes.
Um dos pontos que mais repercutiram foi a inclusão de perguntas sobre abortos anteriores no histórico clínico das pacientes. O material também adota, em determinados trechos, termos neutros em relação a gênero, como “pessoa gestante” e “pessoas que gestam”.
Parlamentares conservadores e ativistas ligados ao movimento pró-vida criticaram a redação utilizada pelo ministério. Segundo eles, a formulação adotada relativiza a maternidade e contribui para normalizar pautas relacionadas à descriminalização do aborto.
Por outro lado, integrantes do governo e especialistas em saúde pública afirmam que a linguagem busca ampliar o acolhimento nas políticas públicas e garantir um atendimento mais inclusivo dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde também argumenta que informações sobre abortos anteriores fazem parte do histórico médico tradicionalmente utilizado no acompanhamento pré-natal.
Leandro Soares
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