A estimativa da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) é que o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master pode ter provocado prejuízo de até R$ 500 bilhões ao sistema financeiro. A apuração, conduzida pela Polícia Federal (PF) e que resultou na deflagração de seis fases da Operação Compliance Zero, envolve lavagem de dinheiro e operações consideradas sem justificativa técnica entre instituições financeiras e o Banco Regional de Brasília (BRB).
O diretor de Estratégia Sindical da Fenapef, Flávio Werneck Meneguelli, também mestre em criminologia e especialista em segurança pública, os crimes financeiros envolvendo o Banco Master devem ser os maiores da história do país. A declaração foi feita em entrevista ao Correio Braziliense nesta segunda-feira (18).
“Tivemos algumas outras investigações de grandes prejuízos financeiros no sistema financeiro brasileiro, mas, nesse patamar de prejuízo, incluindo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foi algo realmente que tomou uma proporção maior do que o orçamento da grande maioria dos nossos vizinhos, podendo chegar a R$ 500 bilhões. Neste meio trilhão de reais abrange-se o prejuízo do BRB, que pode chegar a R$ 48 bilhões”, afirmou o especialista.
Ele pontuou que o cerco deve fechar sobre a autoridades do Distrito Federal, especialmente pelo apoio a compra do Banco Master pelo BRB mesmo sob suspeitas de fraudes e com parecer contrário do Banco Central. Meneguelli também criticou o vazamento de informações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ligadas ao Master.
Segundo o especialista, as apurações foram prejudicadas pro esses vazamentos, visto que o acesso indevido de materiais em ambiente sigiloso da Câmara compromete a investigação acerca de fatos sensíveis. Sobre a situação de Vorcaro e a possível delação do banqueiro, o diretor da Fenapef alega que ela não vai ser suficiente para dar prosseguimento no caso.
“Vorcaro acreditou que conseguiria comprar a delação dele fazendo uma análise subjetiva e não conseguiu. Ou ele, ou os advogados apresentam algo realmente relevante, complementar ao que a PF tem, ou não há delação, porque temos uma gama de indícios de autoria e materialidade bem grande”, pontuou Flávio Werneck Meneguelli.
Carolina Matta
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