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Ministro Flávio Dino dá 48h para Câmara explicar viagem de Mario Frias ao exterior

O pedido foi encaminhado nesta quarta-feira (20) ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a Câmara dos Deputados preste esclarecimentos, no prazo de 48 horas, sobre a viagem internacional do deputado Mario Frias (PL-SP) ao Bahrein e aos Estados Unidos. O pedido foi encaminhado nesta quarta-feira (20) ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A medida está relacionada a uma investigação que apura suposto uso de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar é um dos investigados no caso.

Foto: Mário Agra/Câmara dos DeputadosDeputado Mario Frias
Deputado Mario Frias

Frias esteve no Bahrein entre os dias 12 e 18 de maio e, em seguida, viajou aos Estados Unidos. Em entrevista ao SBT News na terça-feira (19), ele afirmou que a agenda no exterior teve caráter institucional e econômico.

“Como deputado, estive agora no Bahrein propondo alguns investimentos no Brasil e agora estou nos Estados Unidos para fazer também uma prospecção de um investimento em segurança pública. Mas eu volto ao Brasil. Não devo nada. Estou pronto para prestar conta. Estou à disposição da Justiça”, declarou o deputado.

No âmbito do processo, Flávio Dino havia determinado anteriormente a intimação do parlamentar para prestar esclarecimentos em março. No entanto, tentativas de notificação não foram cumpridas, e o documento acabou sendo devolvido ao STF, o que levou à ampliação das diligências.

Investigação sobre uso de emendas

A apuração envolve suspeitas de destinação de cerca de R$ 2,6 milhões em chamadas “emendas Pix” para organizações ligadas à produção do filme. A ação foi motivada por questionamentos da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que apontou repasses à ONG Academia Nacional de Cultura (ANC) e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidades associadas à sócia da produtora responsável pelo longa.

Outros parlamentares também são investigados, entre eles Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS). Ambos negam irregularidades e afirmam que os recursos tinham finalidade pública. Pollon, por exemplo, disse ter solicitado o cancelamento da emenda após questionamentos do STF, redirecionando valores para a área da saúde.

Contradições sobre financiamento do filme

O caso também ganhou novos desdobramentos após publicações indicando possível participação financeira do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil, haveria registros de negociações envolvendo valores milionários para a produção.

Inicialmente, Mario Frias negou qualquer repasse de recursos empresariais ao projeto. Posteriormente, ele afirmou que houve divergências na interpretação sobre a origem dos investimentos, argumentando que os contratos foram firmados com uma empresa intermediária, e não diretamente com o empresário.

O parlamentar sustenta que o financiamento do filme teria sido estruturado dentro da legalidade e sem inconsistências materiais, apesar das diferentes versões apresentadas ao longo da investigação.

As apurações seguem sob responsabilidade do STF, que busca esclarecer o fluxo de recursos públicos e privados ligados à produção audiovisual e eventuais conexões com parlamentares.

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