A China suspendeu temporariamente as importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros após identificar possíveis irregularidades sanitárias em cargas exportadas pelo Brasil. A decisão afeta unidades da JBS, em Pontes e Lacerda (MT), da Prima Foods, em Araguari (MG), e da Frialto, em Matupá (MT).
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a medida tem caráter preventivo e busca garantir a rastreabilidade da matéria-prima utilizada nas exportações, além de permitir a adoção de medidas técnicas pelas empresas e autoridades sanitárias.
A entidade afirmou que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos do mundo e destacou que os casos estão sendo tratados conforme os protocolos acordados entre os governos brasileiro e chinês. Até o momento, o Ministério da Agricultura não comentou oficialmente a suspensão.
Frialto admite detecção de hormônio sintético
Entre as empresas atingidas, apenas a Frialto se manifestou publicamente. Em nota, o frigorífico informou que autoridades sanitárias chinesas identificaram a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas pela unidade de Matupá.
Após a suspensão, a empresa anunciou redução de 40% na produção da planta e informou que parte da carne será redirecionada para mercados como Estados Unidos, México, União Europeia, países árabes e outras nações asiáticas.
A Frialto também afirmou ter iniciado uma investigação interna para identificar a origem do problema e declarou expectativa de retomar as exportações antes do próximo ciclo de produção voltado ao mercado chinês.
A decisão chinesa ocorre poucos dias depois da liberação de outras três plantas brasileiras que estavam impedidas de exportar carne ao país asiático desde o ano passado. Atualmente, o Brasil possui mais de 100 frigoríficos habilitados para vender carne à China, principal mercado do setor exportador brasileiro.
Isaac Da Silva
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