Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se posicionaram publicamente nessa quinta-feira (28) contra a decisão do Governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, que classificou as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Para eles, trata-se de uma tentativa de “intervenção” no país.
A medida, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano, prevê a entrada das duas facções na lista de grupos considerados terroristas a partir de 5 de junho. Segundo autoridades dos EUA, as organizações seriam responsáveis por ações violentas e teriam atuação estruturada envolvendo milhares de integrantes no Brasil.
No governo brasileiro, a reação foi de crítica à decisão. O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a cooperação entre países no enfrentamento ao crime organizado é necessária, mas rejeitou qualquer possibilidade de interferência externa nas políticas nacionais de segurança pública.
Ele destacou que o combate a crimes como lavagem de dinheiro e tráfico de armas pode e deve envolver colaboração internacional, mas classificou como inaceitável qualquer iniciativa que represente ingerência nas decisões soberanas do país.
A posição também foi compartilhada por parlamentares da base governista. Lideranças do PT na Câmara avaliaram que a decisão pode trazer impactos negativos, inclusive na economia, ao gerar insegurança para investidores e tensionar relações diplomáticas. Para eles, o governo brasileiro já atua no enfrentamento ao crime organizado por meio de operações da Polícia Federal e da Receita Federal, com foco na desarticulação financeira dessas estruturas.
As críticas incluem ainda a avaliação de que a medida norte-americana pode abrir espaço para interpretações de intervenção externa no país, o que, segundo os parlamentares, comprometeria a soberania nacional.
O anúncio dos Estados Unidos integra uma série de designações semelhantes feitas ao longo dos últimos anos, quando outras organizações criminosas e grupos armados internacionais passaram a compor a lista de entidades classificadas como terroristas pelo governo norte-americano.
Wanessa Gommes
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