O Governo Lula prepara uma nova etapa na estratégia de diversificação da dívida pública externa: a emissão de títulos soberanos denominados em yuan, moeda oficial da China. A iniciativa, que vem sendo estudada pelo Tesouro Nacional há cerca de dois anos, deve marcar a primeira operação do tipo voltada diretamente ao mercado financeiro chinês.
A expectativa é de que o anúncio ocorra durante a viagem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Pequim e Xangai, prevista para o período entre os dias 24 e 26 de junho. O próprio ministro já confirmou a agenda e destacou, em evento recente do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que o Brasil tem sido visto internacionalmente como um ambiente de oportunidades para investimentos.
Nos bastidores da equipe econômica, a operação é tratada como parte de um esforço mais amplo para ampliar as fontes de financiamento da dívida pública e reduzir a dependência do dólar em determinadas operações internacionais. Esse movimento, ainda que pontual no caso brasileiro, integra uma tendência global de maior uso de moedas alternativas em transações financeiras.
A ideia de acessar o mercado chinês por meio de títulos denominados em yuan não surgiu recentemente. Já em documentos oficiais de planejamento da dívida, o Tesouro mencionava a possibilidade de explorar emissões em outras moedas, como forma de adequar a gestão às condições do mercado internacional.
Nos últimos anos, autoridades da área econômica também passaram a tratar o tema com mais frequência. Em eventos com investidores estrangeiros, representantes do governo chegaram a confirmar que estudos técnicos estavam em andamento para avaliar custos, demanda e viabilidade da operação. Entre os pontos analisados está a chamada “curva de aprendizado” desse tipo de emissão e o impacto no custo de captação.
A estratégia envolve ainda o uso dos chamados “panda bonds”, títulos emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado chinês. A proposta é que a operação brasileira sirva não apenas como instrumento de financiamento, mas também como referência para companhias nacionais interessadas em acessar esse tipo de mercado.
Antes do Governo Federal, uma empresa brasileira já havia aberto caminho nesse segmento na América Latina. A Suzano realizou uma emissão em moeda chinesa no fim de 2024, tornando-se uma das pioneiras na região a explorar esse tipo de captação.
Wanessa Gommes
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