O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, no último dia 11 de junho, o relatório final sobre o acidente envolvendo o foguete sul-coreano HANBIT-Nano, lançado em 23 de dezembro de 2025 do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A investigação concluiu que a perda do veículo foi causada por uma falha no sistema de vedação da câmara de combustão do primeiro estágio do foguete, o que permitiu o escape de gases em alta temperatura e levou à ruptura estrutural do equipamento.
O relatório foi apresentado em Brasília pelo investigador responsável pelo caso, coronel aviador Alexander Coelho Simão, durante reunião que contou com a participação de autoridades militares, representantes da comunidade espacial e integrantes da empresa sul-coreana Innospace, fabricante do veículo lançador.
A investigação, conduzida pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (SIPAE) também teve a colaboração da Korea AeroSpace Administration (KASA), agência espacial da Coreia do Sul.
Segundo o relatório, o lançamento transcorreu normalmente durante os primeiros segundos de voo. No entanto, cerca de 33 segundos após a decolagem, ocorreu uma falha estrutural no primeiro estágio do foguete, provocando sua fragmentação em pelo menos quatro partes. Os destroços caíram dentro da área de segurança previamente delimitada no Centro de Lançamento.
Mesmo com a destruição completa do veículo, não houve feridos. Os danos materiais ficaram restritos às instalações da base de lançamento, incluindo avarias em cercas, portões, janelas e outras estruturas localizadas no perímetro do setor de lançamento.
A análise dos destroços revelou sinais de degradação térmica nos anéis de vedação da câmara de combustão, além de marcas compatíveis com a fuga contínua de gases quentes. Os investigadores identificaram que a falha permitiu a passagem desses gases para áreas estruturais sensíveis do foguete, causando erosão, superaquecimento e, posteriormente, a ruptura da estrutura.
A investigação ainda analisou fatores meteorológicos e possíveis interferências atmosféricas. As conclusões apontam que as condições climáticas eram favoráveis ao lançamento, com ventos estáveis, boa visibilidade e ausência de descargas elétricas ou fenômenos meteorológicos que pudessem contribuir para o acidente.
O foguete
O HANBIT-Nano era um foguete orbital de pequeno porte desenvolvido pela Innospace para transportar satélites de até 90 quilos para órbitas baixas da Terra. Entre as cargas úteis embarcadas estavam satélites e experimentos tecnológicos de universidades brasileiras, incluindo projetos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), além de uma carga internacional desenvolvida pela empresa indiana Grahaa Space.
Thais Guimarães
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