A administração do Hospital São Marcos realizou, nesta segunda-feira (6), uma coletiva de imprensa com o diretor técnico da entidade, Marcelo Martins, que apresentou o panorama atual da instituição e revelou a necessidade de um incremento de R$ 50 milhões anuais no repasse do Sistema único de Saúde (SUS).
Recentemente, o São Marcos suspendeu os atendimentos a novos pacientes com câncer sob o argumento de escassez de recursos. Para comprovar essa tese, a instituição apresentou um relatório e um parecer elaborado pela empresa Planisa, especializada em consultoria hospitalar.
“Estamos há anos nessa luta e nunca recebemos nada de concreto. Então, infelizmente, tivemos que suspender o atendimento dos novos casos de pacientes com câncer, porque estamos fazendo um esforço gigantesco para tentar ter condições de manter o atendimento das pessoas que já estão aqui. Agora, não existe estrutura no estado do Piauí que tenha sequer 10% da capacidade de atendimento que o São Marcos tem”, declarou Marcelo Martins.
Segundo o diretor, o hospital não passa por problema de gestão, e sim financeiro. “O nosso problema aqui não é de gestão, é de custeio. E o custeio é de responsabilidade da gestão pública”, frisou.
Reajuste no repasse
No relatório, a direção do São Marcos requer do poder público aportes financeiros emergenciais imediatos para evitar interrupções no atendimento, bem como a recomposição definitiva por meio de novo contrato, no valor adicional de R$ 4,2 milhões, que totaliza R$ 50,4 milhões por ano.
“Isso não é um absurdo, é o custo do tratamento do câncer. O São Marcos passa por dificuldades financeiras por subfinanciamento, não por excesso de custos, como a Planisa documentou e como nós temos falado há anos e ninguém consegue provar o contrário, simplesmente porque é a verdade”, destacou Marcelo Martins.
Por fim, o diretor ressaltou a importância do Hospital São Marcos para a garantia dos tratamentos oncológicos, sobretudo para pessoas mais vulneráveis economicamente. “Isso aqui é um patrimônio do nosso Estado. Não proteger esta casa é uma irresponsabilidade, não adianta dizer que está comprometido com a saúde pública se não protege essa instituição. O São Marcos faz por mês, em média, mais de 4.900 sessões de quimioterapia. As pessoas não têm ideia disso”, concluiu.
*Com colaboração da repórter Nathalia Carvalho
Thais Guimarães
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