O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,24% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora tenha representado uma leve desaceleração em relação a maio (0,26%), o acumulado em 12 meses chegou a 5,35%, ultrapassando o teto da meta estipulada para 2025 e confirmando o descumprimento do novo regime de metas inflacionárias.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2025 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Com o índice acima desse teto por seis meses consecutivos, a meta é considerada oficialmente descumprida. Essa é a primeira vez que isso acontece dentro do novo modelo de metas contínuas, que avalia o acumulado em 12 meses de forma ininterrupta.
BC terá que explicar descumprimento
Com o estouro da meta, o Banco Central é obrigado a publicar uma carta aberta ao ministro da Fazenda e presidente do CMN, Fernando Haddad, detalhando as causas da inflação fora do intervalo permitido. A expectativa é que o documento, assinado pelo atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, seja divulgado às 18h desta quinta-feira (10).
O BC é o órgão responsável por controlar a inflação, por meio da política monetária e da definição da taxa básica de juros, a Selic, determinada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
O que é o IPCA
Calculado pelo IBGE desde 1979, o IPCA é o principal termômetro da inflação no Brasil. Ele mede a variação mensal dos preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo cerca de 90% da população urbana.
Entre as categorias avaliadas estão alimentação e bebidas, habitação, transportes, saúde, educação, comunicação, vestuário, entre outros. O índice serve de referência para o Banco Central ajustar a taxa Selic e, consequentemente, influenciar o ritmo da economia.
Inflação de junho foi puxada pela energia elétrica
Apesar da desaceleração em relação ao mês anterior, o resultado de junho veio ligeiramente acima da expectativa do mercado, cuja mediana de projeções apontava para uma alta de 0,23%, segundo o boletim Focus.
O principal impacto individual no IPCA de junho foi o aumento de 2,96% na energia elétrica residencial, em razão da adoção da bandeira tarifária vermelha no patamar 1. O subitem contribuiu com 0,12 ponto percentual no índice geral do mês.
Carolina Matta
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