O clima de incerteza nos mercados internacionais ganhou força nesta segunda-feira (7), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomar a retórica agressiva da guerra comercial em seu segundo mandato. Com o envio de cartas a parceiros internacionais anunciando novas tarifas de importação, o dólar disparou no Brasil e a Bolsa de Valores (B3) registrou fortes perdas no primeiro pregão da semana.
A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 0,99%, cotada a R$ 5,477, após atingir a máxima de R$ 5,484. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa, caiu 1,26%, aos 139,4 mil pontos, revertendo parte dos ganhos da semana passada, quando bateu recorde histórico de 141,2 mil pontos.
Novas tarifas e clima de tensão
O estopim do mau humor foi o anúncio de que os Estados Unidos vão impor tarifas de 25% sobre todos os produtos do Japão e da Coreia do Sul a partir de 1º de agosto. As notificações foram enviadas nesta segunda-feira (7), no que Trump chamou de “Dia da Libertação Comercial”.
Em tom agressivo, o presidente afirmou que buscou negociar, mas que os países asiáticos mantêm barreiras comerciais e déficits persistentes. “Se qualquer nação tentar retaliar os EUA, sofrerá ainda mais”, diz um trecho da carta enviada ao governo japonês.
Além do Japão e da Coreia do Sul, outros cinco países também receberam cartas com tarifas definidas: Myanmar (40%), Laos (40%), África do Sul (30%), Cazaquistão (25%) e Malásia (25%). Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, mais 12 países serão notificados nas próximas semanas.
Impacto nas negociações e ameaça ao Brics
Apesar de a Casa Branca ter prorrogado o prazo de entrada em vigor das tarifas — de 9 de julho para 1º de agosto —, a medida foi interpretada pelo mercado como uma escalada de tensões comerciais, capaz de comprometer acordos multilaterais.
O presidente norte-americano também usou a reunião de cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, para lançar novos recados: qualquer país que apoiar políticas antiamericanas do bloco será punido com tarifa adicional de 10%. O Brics, que agora conta com 11 membros, incluindo Brasil, China, Rússia, Irã e Arábia Saudita, emitiu nota criticando o aumento de tarifas unilaterais, embora sem citar diretamente os EUA.
Análise do cenário
Para o economista Luis Afonso Lima, da Mapfre Investimentos, o movimento tarifário de Trump “prejudica o comércio bilateral, gera incertezas nos mercados e deve desacelerar as exportações globais”. Ele também alerta para o impacto nas commodities e para a postura cautelosa do Federal Reserve (Fed) diante de possíveis pressões inflacionárias.
“A tendência é que os bancos centrais de países emergentes não contem com estímulos externos. O cenário internacional caminha para mais proteção, menos cooperação e menor crescimento”, afirma Lima.
Apesar do tom ainda moderado nas perdas acumuladas de julho, o dólar recua 0,17% no mês e acumula queda de 12,23% em 2025 frente ao real. Já o Ibovespa, mesmo com a queda desta segunda, soma alta de 11,36% no ano, sustentado pelo fluxo estrangeiro e expectativa de corte de juros no Brasil.
Próximos passos
Analistas alertam que o cenário pode piorar caso Trump siga adiante com mais tarifas ou enfrente retaliações. A extensão do prazo para negociações até agosto será um teste para a diplomacia global e para a resiliência dos mercados emergentes, como o Brasil.
O mercado agora aguarda novos desdobramentos das negociações comerciais entre EUA e seus parceiros, além dos próximos passos da política monetária americana, que pode ser afetada por pressões inflacionárias geradas pelas tarifas.
Carolina Matta
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