A líder da oposição ao ditador Nicolás Maduro, María Corina Machado, de 58 anos, foi a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, anunciado nesta sexta-feira (10). O Comitê Norueguês do Nobel destacou que a escolha reconhece “seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.
Machado, que há anos denuncia as ações autoritárias do regime ditatorial de Nicolás Maduro, teve sua candidatura às eleições presidenciais de 2024 barrada pelo Supremo Tribunal da Venezuela, o que a impediu de concorrer. Mesmo com a proibição, ela continua sendo uma das principais vozes da oposição no país.
Em janeiro deste ano, Corina foi alvo de um atentado. Segundo a oposição venezuelana, agentes do governo dispararam contra Machado enquanto ela deixava um protesto em Caracas. Ela chegou a ser detida e liberada cerca de uma hora e meia depois.
Durante o anúncio do prêmio, o comitê ressaltou que a ativista foi essencial para unir a oposição e impedir a manipulação dos resultados eleitorais:
“Machado reuniu um grupo que ajudou a garantir que a apuração final das eleições fosse documentada antes que o regime pudesse destruir as cédulas e mentir sobre o resultado”, afirmou a organização.
Trajetória e resistência
Nascida em Caracas, em 1967, María Corina Machado é engenheira industrial e iniciou sua trajetória política em 2002, quando fundou a Súmate, uma organização civil dedicada à promoção de direitos políticos e ao monitoramento de eleições na Venezuela.
Reconhecida internacionalmente como símbolo da resistência democrática, Machado se tornou uma das principais críticas ao chavismo e à repressão imposta por Maduro.
Segundo o grupo de monitoramento Freedom House, as instituições democráticas da Venezuela “se deterioraram desde 1999, mas as condições pioraram acentuadamente nos últimos anos devido à dura repressão do regime”.
Após ser impedida de disputar as eleições presidenciais de 2024, Machado declarou apoio ao candidato Edmundo González Urrutia, que passou a representar a coalizão opositora.
Caroline Vitorino
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