Seis centrais sindicais brasileiras divulgaram, nesta sexta-feira (17), uma nota em defesa da Venezuela e em crítica à ação autorizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o governo de Nicolás Maduro. As entidades classificaram a medida como uma “perigosa escalada imperialista” e afirmaram que o verdadeiro objetivo norte-americano é “recolonizar” e controlar a América Latina.
De acordo com Trump, a operação militar tem como finalidade combater o tráfico internacional de drogas. No entanto, para as centrais, o discurso é “hipócrita” e encobre interesses políticos e econômicos dos Estados Unidos na região.
“De maneira hipócrita, o Governo Trump fala em ‘defesa da democracia’, mas por trás desse discurso está a tentativa de restaurar o poder das elites venezuelanas ligadas a Washington, grupos que historicamente empobreceram o povo e tentam reverter os avanços sociais conquistados em mais de duas décadas de Revolução Bolivariana”, diz o documento.
A manifestação foi assinada por dirigentes da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Intersindical.
As centrais afirmam que a ação dos Estados Unidos repete práticas adotadas durante a Guerra Fria, quando o “imperialismo norte-americano intervinha direta ou indiretamente para subjugar governos soberanos” por meio da “promoção de golpes militares”.
“Longe de promover a democracia, o cerco militar à Venezuela representa uma ameaça intervencionista de consequências imprevisíveis, que pode arrastar toda a região a um novo ciclo de guerras e instabilidade”, afirmam as entidades, que pedem a “mobilização e articulação de forças populares e governos da região” — “em especial o governo brasileiro”, ressaltam.
Na última quarta-feira (15), Trump anunciou que o governo norte-americano considera operações terrestres, afirmando já ter o mar “sob controle”, com navios patrulhando o Caribe. Segundo o republicano, os ataques visam embarcações usadas no transporte de grandes quantidades de drogas.
“É duro, mas você perde três pessoas (narcotraficantes) e salva 25 mil”, declarou o presidente ao justificar os bombardeios contra lanchas supostamente envolvidas no tráfico. Ele acrescentou que cada uma dessas embarcações transportava drogas suficientes “para que milhares de pessoas morram de overdose”.
Durante coletiva na Casa Branca, Trump confirmou ainda que autorizou a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar operações encobertas na Venezuela — informação antecipada pelo The New York Times. Segundo ele, o regime de Maduro teria “esvaziado prisões” para enviar criminosos aos Estados Unidos e estaria diretamente envolvido com o narcotráfico internacional.
“Acredito que a Venezuela está sentindo pressão, mas acredito que muitos outros países também”, completou Trump.
Confira abaixo a nota completa das seis centrais sindicais
As Centrais Sindicais brasileiras manifestam profunda preocupação com a escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Trata-se de uma série de manobras que ameaçam não apenas o país vizinho, mas também a soberania nacional, a paz e a estabilidade da América Latina.
Sob o falso pretexto de combate ao narcotráfico, o Governo de Donald Trump conduz ações militares provocativas e ostensivas, em flagrante violação ao direito internacional. Entre essas ações estão:
- o envio de aviões B-52 – bombardeiros estratégicos de longo alcance e alta capacidade de destruição – para sobrevoar o território venezuelano;
- o posicionamento de oito navios de guerra na costa do país;
- a explosão de embarcações civis; e
- a autorização pública para que a CIA realize operações encobertas em solo latino-americano.
São medidas que reproduzem práticas usadas pelos EUA na promoção de golpes militares durante a Guerra Fria, quando o imperialismo norte-americano intervinha direta ou indiretamente para subjugar governos soberanos.
Como naquela época, o país busca recolonizar o que chama de “hemisfério ocidental”, reafirmando seu desejo de controle sobre a América Latina, considerada sua “zona de influência” de forma arrogante e inaceitável.
De maneira hipócrita, o governo Trump fala em “defesa da democracia”, mas por trás desse discurso está a tentativa de restaurar o poder das elites venezuelanas ligadas a Washington, grupos que historicamente empobreceram o povo e tentam reverter os avanços sociais conquistados em mais de duas décadas de Revolução Bolivariana.
No plano geopolítico, a contradição é ainda mais evidente: longe de promover a democracia, o cerco militar à Venezuela representa uma ameaça intervencionista de consequências imprevisíveis, que pode arrastar toda a região a um novo ciclo de guerras e instabilidade.
Diante desse cenário, torna-se urgente a mobilização e a articulação das forças populares e dos governos da região, em especial o governo brasileiro, para conter essa perigosa escalada imperialista.
É hora de erguer a voz em defesa da soberania, do diálogo e da autodeterminação dos povos. É hora de unir forças para dizer: não à guerra, não à intervenção, sim à paz e à integração latino-americana.
Antonio Neto
presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Sérgio Nobre
presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres
presidente da Força Sindical
Ricardo Patah
presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo
presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Nilza Pereira de Almeida
secretária geral da Intersindical
Rodrigo Mendes
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