O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy começou a cumprir nesta terça-feira (21) sua pena de cinco anos de prisão no presídio de La Santé, em Paris. A condenação foi imposta pela Justiça francesa por financiamento ilegal da campanha presidencial de 2007, que o levou ao Palácio do Eliseu, com recursos do regime líbio de Muammar Gaddafi. Ele é o primeiro ex-chefe de Estado francês a ser preso.
Sarkozy chegou à penitenciária, localizada no 14º distrito de Paris, por volta das 9h39 (horário local, 4h39 de Brasília), em um carro preto escoltado e seguido por equipes de televisão que transmitiram o trajeto ao vivo. A entrada do ex-presidente foi marcada por forte esquema de segurança e por manifestações de curiosos que gritavam “Bem-vindo, Sarkozy!” e faziam referência à esposa dele, Carla Bruni.
Antes de se dirigir à prisão, Sarkozy deixou sua residência no 16º distrito acompanhado da família, sendo aplaudido por apoiadores que cantaram a Marselhesa, o hino nacional francês.
Em publicação nas redes sociais, o ex-presidente afirmou que “não é um ex-chefe de Estado que está sendo preso, mas um homem inocente” e prometeu continuar denunciando o que chamou de “escândalo judicial” que enfrenta há mais de uma década. “A verdade triunfará, mas o preço será devastador”, escreveu.
Segundo seus advogados, a equipe pretende apresentar um pedido de habeas corpus nas próximas horas. “Uma noite na prisão é demais”, declarou Christophe Ingrain, um dos defensores de Sarkozy, à emissora BFMTV. Ele acrescentou que não haverá tratamento especial e que o pedido de libertação deve ser analisado em até um mês.
Caso o recurso seja aceito, Sarkozy poderá deixar a prisão antes do Natal e responder em liberdade ao julgamento de apelação, previsto para março de 2026. Durante o período em La Santé, o ex-presidente pretende escrever sobre a experiência e o que classifica como uma “injustiça”.
Condenado em 25 de setembro, Sarkozy foi considerado culpado por associação criminosa e por permitir que seus assessores negociassem com autoridades do regime líbio para obter recursos destinados à campanha eleitoral de 2007.
Rodrigo Mendes
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