A médica venezuelana Marggie Orozco, de 65 anos, foi condenada a 30 anos de prisão na Venezuela após enviar um áudio pelo WhatsApp criticando o regime de Nicolás Maduro e incentivando moradores a participarem das eleições presidenciais de 28 de julho de 2024. A informação foi divulgada pela ONG Comitê por la Libertad de los Presos Políticos de Venezuela (Clippve) e confirmada pelo ex-governador do estado de Táchira, César Pérez Vivas.
A sentença foi proferida na última sexta-feira (14) pelo Tribunal 4º de Juicio do Circuito Judicial Penal de Táchira. Conforme o Clippve, Orozco foi acusada de “traição à pátria”, “incitação ao ódio” e “conspiração”, em um processo que a ONG classificou como marcado por “evidentes violações ao direito à liberdade de expressão”.
La Dra. Marggie Orozco (65 años) fué condenada a 30 años de prisión. Denunciada por una jefa del CLAP de su comunidad en San Juan de Colón por un simple audio de WhatsApp sobre las elecciones del 28 de julio.
— César Pérez Vivas (@CesarPerezVivas) November 16, 2025
La sentencia, dictada por la juez Luz Dary Moreno, es un acto perverso… pic.twitter.com/TttP0YCA5K
A denúncia contra a médica teve início após uma representante dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP) — estrutura comunitária ligada ao chavismo — entregar o caso às autoridades. Orozco foi presa em agosto do ano passado, na cidade de San Juan de Colón, próxima à fronteira com a Colômbia.
Segundo Pérez Vivas, que divulgou detalhes do caso na rede X, a decisão judicial “é um ato perverso contra uma pessoa com graves problemas de saúde”. Ele lembrou que a médica sofreu um infarto em setembro, enquanto estava sob custódia da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), e enfrenta depressão crônica desde 2013.
A condenação de Orozco se soma a outros casos recentes de repressão a críticos do governo. De acordo com dados da organização Foro Penal, divulgados neste mês, a Venezuela mantém atualmente 882 presos políticos, entre civis e militares.
Caroline Vitorino
Ver todos os comentários | 0 |