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Internacional

Advogado de Trump afirma que prisão de Bolsonaro vai gerar nova tensão entre Brasil e EUA

De Luca afirmou que a decisão de Moraes desmonta o trabalho diplomático conduzido pelo presidente Lula.

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes e executada na manhã deste sábado (22), provocou reação imediata no cenário internacional, após o advogado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Martin De Luca, afirmar que a medida cria tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, a decisão tomada poucas horas depois de um gesto de aproximação comercial entre os dois países coloca em risco meses de negociações conduzidas pelo governo brasileiro para normalizar o diálogo com Washington. As críticas também apontam que os fundamentos apresentados para justificar a prisão preventiva seriam frágeis e baseados em elementos interpretados pelo advogado como especulativos.

Em declarações públicas, De Luca afirmou que a decisão de Moraes desmonta o trabalho diplomático conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que, segundo ele, buscavam estabilizar a relação com os Estados Unidos em meio ao clima de desconfiança entre Brasília e a administração Trump. Para o advogado, a medida tomada pelo ministro ocorre justamente após o primeiro sinal de afrouxamento das tensões, o abrandamento de tarifas impostas pelos EUA, e teria sido encarada como um gesto de confronto político. Ele também declarou que o episódio compromete a credibilidade externa do Brasil ao transmitir a imagem de instabilidade institucional em um momento sensível.

Foto: ReproduçãoMartin de Luca
Martin de Luca

“Moraes acabou com a diplomacia de Lula. Lula e Geraldo Alckmin têm trabalhado incansavelmente durante meses para estabilizar a relação do Brasil com os EUA. Eles sabem que o Brasil está em uma situação delicada com Donald Trump. E finalmente receberam o primeiro sinal de boa vontade ontem. Na manhã seguinte, Moraes sabota todo o esforço diplomático com uma única decisão, exatamente o tipo de excesso que desencadeou a crise em primeiro lugar. Enquanto a equipe de Lula tenta desesperadamente reconstruir a confiança com os EUA, Moraes faz todo o possível para provar por que foi sancionado em primeiro lugar. Se o Brasil quer credibilidade no exterior, talvez devesse começar por pôr a casa em ordem, porque neste momento, um homem está desfazendo o trabalho de todos os outros em tempo real”, disse De Luca.

De Luca ampliou as críticas ao destacar os argumentos utilizados na decisão judicial que determinou a prisão preventiva. Segundo ele, Moraes se baseou em três pontos: uma suposta violação não detalhada da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente, a presença de apoiadores em vigília diante da residência de Bolsonaro e a proximidade de cerca de 13 quilômetros entre a casa do ex-chefe do Executivo e a Embaixada dos Estados Unidos. Na avaliação do advogado, alegar que essa distância representaria risco de fuga seria “uma construção hipotética sustentada apenas em geografia”, o que, na visão dele, não atenderia aos requisitos legais para prisões preventivas no Brasil.

“Na manhã seguinte ao abrandamento das tarifas dos EUA sobre o Brasil — tarifas originalmente impostas em parte devido à caça às bruxas — Alexandre de Moraes elevou essa caça às bruxas a um nível totalmente novo. Hoje, ele colocou Bolsonaro em prisão preventiva com base em argumentos tão frágeis que beiram a sátira. Sua prisão foi justificada com base em: • uma “violação do monitor de tornozelo” não especificada, sem provas ou explicações; • uma vigília pacífica em frente à sua casa; • e — inacreditavelmente — o fato de Bolsonaro morar a 13 km da Embaixada dos EUA. Sim. Moraes argumentou literalmente que, como Bolsonaro mora a uma curta distância de carro da embaixada americana, ele poderia tentar fugir para lá. Como se os Estados Unidos, que sancionaram Moraes por violações de direitos humanos, fossem contrabandeá-lo para fora do Brasil. É difícil imaginar um insulto mais gratuito a Donald Trump. No Brasil, a prisão preventiva exige provas concretas de risco de fuga, atos objetivos de obstrução e a constatação de que nenhuma medida menos drástica seria eficaz. Moraes não apresentou nenhuma. Ele simplesmente descreveu um plano de fuga hipotético baseado em geografia, especulação e medo de uma multidão pacífica. E ele fez isso um dia depois de os EUA terem estendido um ramo de oliveira em relação às tarifas. O momento escolhido é um ato de desafio. Independentemente de você apoiar Bolsonaro ou não, prender um ex-presidente com base na distância que ele percorre de carro até a embaixada dos EUA não é o Estado de Direito. É má-fé. É política. E trata-se de uma demonstração extraordinária de desrespeito para com a administração Trump, que agiu de boa-fé poucas horas antes”, finalizou o advogado de Trump.

Prisão de Jair Bolsonaro

Na manhã deste sábado (22), o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi cumprida por volta das 6h35, quando um comboio com ao menos cinco viaturas da PF chegou ao condomínio onde o ex-presidente mora.

Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Segundo a decisão, a prisão foi decretada para garantir a ordem pública, após a realização de uma vigília registrada nas proximidades da residência do ex-presidente. A defesa foi informada de que a medida não representa o início do cumprimento de eventual pena no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe de Estado. Trata-se de uma prisão preventiva, sem relação direta com condenações já discutidas no Supremo.

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