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Presidente do Paraguai critica Lula após inauguração separada de ponte binacional

Na sexta (19), o presidente Lula inaugurou sozinho o lado brasileiro da Ponte da Integração.

A inauguração da nova ponte binacional entre Brasil e Paraguai ocorreu de forma fragmentada e expôs um ruído diplomático entre os dois governos. Neste sábado (20), o presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou que o desencontro deixou um “sabor amargo”.

Na sexta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou sozinho o lado brasileiro da Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco. Peña participou apenas da cerimônia realizada neste sábado, após cumprir agenda na cúpula do Mercosul.

Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilSantiago Peña, Presidente do Paraguai
Santiago Peña, Presidente do Paraguai

Segundo a Agência EFE, durante discurso no encontro do bloco, Peña reconheceu que houve responsabilidade compartilhada pelo desencontro, mas lamentou que as chancelarias dos dois países não tenham conseguido viabilizar um ato conjunto.

O presidente paraguaio chegou a sugerir a troca de números de telefone com Lula como forma de evitar novos impasses. A proposta foi feita tendo em vista a futura inauguração da ponte entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Chaco paraguaio. A obra integra uma rota estratégica de conexão comercial do Brasil com portos do Chile, passando pelo norte da Argentina, e é considerada central nos projetos de integração regional.

Diante da manifestação, Lula respondeu atribuindo o episódio à burocracia. A declaração provocou risos entre os participantes da cúpula, segundo a transmissão oficial do governo do Paraguai.

Peña também recordou que Lula o recebeu três vezes após sua eleição, em 2023, antes mesmo da posse. Desde então, porém, nenhum dos dois presidentes realizou visitas de Estado aos países vizinhos.

Lula atribui cerimônias separadas a compromissos de agenda

Durante a inauguração no Brasil, Lula afirmou que decidiu manter o cronograma para evitar novo adiamento da entrega da obra. Segundo o presidente, Peña enfrentou um problema familiar em Assunção, enquanto ele precisava retornar a Brasília. “Então eu inauguro o lado brasileiro, ele inaugura o lado paraguaio, e ganha o Brasil e ganha o Paraguai”, declarou.

Batizada de Ponte da Integração Jaime Lerner, a obra estabelece a segunda ligação viária entre Brasil e Paraguai na região, mais de 60 anos após a inauguração da Ponte da Amizade. A estrutura foi concluída em 2022, mas permaneceu sem operação devido à falta de aduanas, acessos e sistemas de fiscalização nos dois lados da fronteira.

O investimento total se aproxima de R$ 2 bilhões, com financiamento compartilhado entre Brasil e Paraguai e aporte da Itaipu Binacional. A liberação do tráfego será gradual. A partir da noite deste sábado (20), apenas caminhões vazios poderão circular entre 22h e 5h. Em 18 de janeiro, ônibus de turismo fretados estarão autorizados a trafegar das 19h às 7h. Ainda não há previsão para a liberação de carros e motocicletas.

Durante a cerimônia realizada na sexta-feira, um problema técnico interrompeu o discurso do presidente brasileiro após falha no gerador de energia do palco. Lula desceu para cumprimentar o público e comentou o episódio no dia seguinte: “Ontem faltou energia no meu discurso, espero que não falte energia no discurso hoje”.

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