Em 2025, o mundo se despediu de inúmeras personalidades. Seja nas artes, no jornalismo, na religião ou na política, cada um deixa um legado. Entre os nomes que partiram neste ano, estão o Papa Francisco, o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, e os artistas Arlindo Cruz, Angela Ro Ro, Francisco Cuoco, Jimmy Cliff, Nana Caymmi, Ozzy Osbourne e Preta Gil.
O GP1 fez um apanhado para relembrar todas essas pessoas, que marcaram a história e a memória coletiva mundo afora.
Ângela Ro Ro (1949-2025)
Com sua voz grave e marcante, a cantora carioca passeava entre o blues, rock e MPB, e eternizou músicas como “Amor Meu Grande Amor”, “Escândalo” e “Simples Carinho”. Autêntica, Ângela Ro Ro sempre assumiu a homossexualidade. Morreu no dia 8 de setembro aos 75 anos, no Rio de Janeiro (RJ), vítima de infecção generalizada e pneumonia bacteriana.
Arlindo Cruz (1958-2025)
Sambista de mão cheia, Arlindo Cruz começou a participar de rodas de samba do tradicional bloco Cacique de Ramos, e integrou o grupo Fundo de Quintal por 12 anos. Com mais de 500 composições gravadas por nomes como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Alcione, o sambista morreu aos 66 anos em 8 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ). Desde 2017, ele sofria as sequelas de um acidente vascular cerebral hemorrágico.
Brigitte Bardot (1934-2025)
A atriz, modelo e ativista francesa ficou famosa por interpretar personagens emancipados no cinema, sendo considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 1950 e 1960. Trabalhou com diversos cineastas renomados e encerrou a carreira no cinema na década de 1970, quando passou a dedicar seu tempo na defesa dos direitos dos animais, erguendo a Fundação Brigitte Bardot, em 1986. Ela morreu no dia 28 de dezembro, aos 91 anos.
Cacá Diegues (1940-2025)
Um dos fundadores do Cinema Novo, o cineasta dirigiu mais de 20 filmes, entre eles, os aclamados e premiados “Xica da Silva” (1976), “Bye Bye Brasil” (1980), “Veja Esta Canção” (1994) e “Deus É Brasileiro” (2003). Cacá Diegues faleceu em 14 de fevereiro, aos 84 anos, no Rio de Janeiro (RJ), em decorrência de complicações de uma cirurgia.
David Lynch (1946-2025)
O cultuado cineasta estadunidense dirigiu obras lendárias do cinema e da televisão. David Lynch é reconhecido por filmes como “Veludo Azul” (1986) e “Cidade dos Sonhos” (2001), bem como pela série “Twin Peaks”. Ele sofria de enfisema pulmonar e morreu aos 78 anos em 15 de janeiro, em Los Angeles.
Francisco Cuoco (1933-2025)
Um dos atores mais consagrados da teledramaturgia brasileira, Francisco Cuoco atuou em grandes sucessos como “Selva de Pedra” (1972), “Pecado Capital” (1975), “O Astro” (1977), entre outras novelas. O ator morreu aos 91 anos no dia 19 de junho, em São Paulo (SP), de falência múltipla de órgãos, com problemas de saúde causados pela idade avançada. Ele deixou três filhos e cinco netos.
Hermeto Pascoal (1936-2025)
Ícone da música instrumental, Hermeto Pascoal era compositor, arranjador e multi-instrumentista, reconhecido mundo afora. Com o talento de extrair sons de objetos inusitados e formar melodias, ganhou o apelido de Bruxo. O artista morreu em 13 de setembro, aos 89 anos, no Rio de Janeiro (RJ), após complicações de uma fibrose pulmonar em estágio avançado, que evoluiu para falência múltipla dos órgãos.
Jaguar (1932-2025)
O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe fez história como um dos fundadores do jornal O Pasquim, semanário mais duradouro da imprensa alternativa criado em 1969 e que enfrentou a ditadura militar. Colaborou com outros jornais e publicações, trabalhando com personalidades consagradas como Ziraldo, Henfil, Millôr Fernandes e outros nomes. Jaguar faleceu aos 93 anos em 24 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ), vítima de uma infecção respiratória que evoluiu para complicações renais.
Jards Macalé (1943-2025)
O artista carioca é um dos nomes mais relevantes da música brasileira, parceiro de diversos nomes da Tropicália, como Cateano Veloso, Nara Leão e Gal Costa. Autor de uma das maiores composição da MPB, “Vapor Barato”, eternizada na voz de Gal Costa, também produziu grandes discos, incluindo o consagrado “Transa” (1972), de Caetano. Morreu no dia 17 de novembro, aos 82 anos, no Rio, vítima de uma parada cardíaca em decorrência de infecção generalizada e insuficiência renal.
Jimmy Cliff (1944-2025)
Ícone do reggae, Jimmy Cliff teve papel preponderante na difusão do ritmo musical e da música jamaicana como um todo. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, gravou mais de 30 álbuns, e recebeu inúmeros prêmios e honrarias. O artista morreu em 24 de novembro, aos 81 anos, em Kingston, na Jamaica, por complicações de uma pneumonia.
José Mujica (1935-2025)
Ex-presidente do Uruguai (2010-2015), José “Pepe” Mujica se tornou figura política mundialmente conhecida pela simplicidade, coerência e ideologias progressistas, Ex-guerrilheiro Tupamaro, passou 14 anos preso durante a ditadura, mas retornou a vida pública até ocupar a presidência do seu país, onde implementou a legalização da maconha, casamento igualitário e aborto. Morreu no dia 13 de maio, aos 89 anos, em decorrência de um câncer no esôfago.
Léo Batista (1932-2025)
Jornalista, apresentador e locutor, João Baptista Belinaso Neto foi um dos principais e mais longevos nomes da crônica esportivo brasileira. Com mais de 70 anos de carreira, cobriu Copas do Mundo, Olimpíadas e eventos históricos. Léo Batista faleceu em 19 de janeiro, aos 92 anos, no Rio, em decorrência de um câncer de pâncreas.
Lô Borges (1952-2025)
O cantor e compositor mineiro foi um dos fundadores do aclamado Clube de Esquina, movimento musical que deu nome ao antológico álbum “Clube da Esquina” (1972), considerado o nono melhor disco de todos os tempos pela revista Paste, dos Estados Unidos. Compôs sucessos como “Paisagem na Janela”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Trem Azul”, lançou mais de 20 álbuns e diversas parcerias. Lô Borges morreu em 2 de novembro, aos 73 anos, em Belo Horizonte (MG), devido a uma intoxicação por medicamentos.
Luis Fernando Verissimo (1936-2025)
Um dos escritores mais celebrados do país, Luis Fernando Verissimo também foi jornalista, tradutor, roteirista e músico. Filho do escritor Erico Verissimo, consagrou-se com suas crônicas e contos, tendo publicado mais de 70 obras, vendendo cerca de 5,6 milhões de exemplares. Morreu no dia 30 de agosto, aos 88 anos, em Porto Alegre (RS), devido a complicações de uma pneumonia.
Mino Carta (1933-2025)
Fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, o jornalista esteve a frente de diversas revistas, entre elas, a Quatro Rodas, Veja e Isto É. Também se dedicou à literatura, lançando obras como “Castelo de Âmbar” (2000) e “A Sombra do Silêncio” (2003). Mino Carta morreu em 2 de setembro, aos 91 anos, em São Paulo (SP), de causa não revelada.
Nana Caymmi (1941-2025)
Uma das vozes mais marcantes da música brasileira, Nana Caymmi era filha do cantor, violonista e compositor Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris. Lançou, no decorrer da carreira, 31 álbuns de estúdio e três projetos em DVD, emplacando sucessos como “Resposta ao Tempo”, “Suave Veneno” e “Não Se Esqueça de Mim”. Indicada quatro vezes ao Grammy Latino, recebeu um dos prêmios pelo álbum “Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo”, na categoria de melhor disco de samba/. Faleceu em 1º de maio, aos 84 anos, no Rio de Janeiro (RJ), de disfunção de múltiplos órgãos.
Niède Guidon (1933-2025)
A arqueóloga dedicou mais de 50 anos aos estudos na região da Serra da Capivara, no Piauí, onde liderou escavações que revolucionaram as teorias sobre o povoamento das Américas. Foi pioneira ao defender que a presença humana no continente americano poderia ter ocorrido há mais de 50 mil anos, bem antes do que indicavam as teorias até então apresentadas. A pesquisadora morreu no dia 4 de agosto na sua casa em São Raimundo Nonato, vítima de um infarto.
Ozzy Osbourne (1948-2025)
O vocalista britânico ganhou notoriedade nos vocais da banda de heavy metal Black Sabbath, uma das pioneiras do gênero. Durante esse período, passou a ser conhecido como “Príncipe das Trevas”, saindo do grupo em 1979, quando iniciou uma carreira solo de sucesso. Ele sofria de doença de Parkinson e morreu em 22 de julho, aos 76 anos, no Reino Unido. Semanas antes, ele havia feito sua última apresentação ao vivo com a formação original do Black Sabbath.
Papa Francisco (1936-2025)
Jorge Mario Bergoglio era argentino e foi o 266.º Papa da Igreja Católica, de 13 de março de 2013 até a data de sua morte. Foi o primeiro Bispo de Roma a ser membro da Companhia de Jesus (Jesuítas), o primeiro nascido nas Américas e o primeiro não nascido na Europa em mais de 1.200 anos. Ao longo de sua vida, destacou-se por sua humildade, preocupação com os pobres e compromisso com o diálogo. O sumo pontífice morreu em 21 de abril, aos 88 anos, no Vaticano, em decorrência de um derrame cerebral. Foi sucedido pelo Papa Leão XIV, escolhido em maio.
Preta Gil (1974-2025)
Filha do cantor Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, Preta Gil era afilhada de Caetano Veloso e Gal Costa e iniciou a carreira musical com o álbum “Prêt-à Porter” (2003). Além de apresentadora e empresária, lançou outros álbuns com ritmos que intercalavam entre o funk, samba e axé, e também se consagrou no Carnaval com o Bloco da Preta. Em 2023 foi diagnosticada com câncer de intestino e se submeteu a diversos tratamentos, inclusive no exterior, mas não resistiu e morreu aos 50 anos no dia 20 de julho, em Nova York. Antes de partir, fez uma apresentação comovente no palco com o pai, Gilberto Gil, com quem cantou “Drão”, música que o cantor baiano escreveu após se separar de sua mãe.
Sebastião Salgado (1944-2025)
Um dos maiores fotógrafos da história, Sebastião Salgado fez registros de momentos históricos e belezas naturais, tendo viajado por mais de 120 países. Entre as fotografias mais impactantes da sua carreira, estão as que desvendara o cotidiano em Serra Pelada nos anos 1980. Ao lado da esposa, Lélia Salgado, fundou o Instituto Terra em 1998, recuperando uma grande área de Mata Atlântica. O fotografo mineiro faleceu em 23 de maio, aos 81 anos, em Paris, em consequência de uma leucemia grave, desenvolvida como complicação de uma malária contraída em 2010 durante uma expedição fotográfica na Indonésia.
Thais Guimarães
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