A 30ª edição da Conferência das Partes (COP30), realizada no Brasil em novembro, deixou uma sensação de frustração quanto aos resultados obtidos, segundo avaliação do secretário-geral da ONU, António Guterres. Apesar disso, o dirigente português destacou que o evento reforçou a importância do multilateralismo.
Em entrevista durante a conferência Reuters Next, em Nova York, nesta quarta-feira (3), Guterres afirmou que as negociações em Belém foram marcadas por desafios, mas ressaltou que um consenso entre os países participantes foi alcançado.
"Tenho sentimentos contraditórios em relação à COP. Por um lado, acho que é notável que, com os Estados Unidos fazendo campanha contra e a indústria de combustíveis fósseis claramente determinada a garantir que as coisas não avançassem... com todos esses movimentos contra, foi possível chegar a um acordo e isso mostra que o multilateralismo funciona", afirmou.
Antes do encerramento da COP30, os organizadores divulgaram o pacote final de decisões apresentado à plenária. O balanço indicou que o “mapa do caminho” para a transição que elimina os combustíveis fósseis — proposto pelo Brasil e apoiado por mais de 80 países — acabou ficando de fora do texto principal da conferência.
A iniciativa enfrentou resistência de grandes produtores de petróleo, especialmente a Arábia Saudita. Conforme informações da CNN, o Brasil pretende lançar um mapa estratégico de forma independente e apresentar um texto complementar sobre combustíveis fósseis.
No que diz respeito ao financiamento, os países aprovaram a estrutura que guiará a negociação do novo objetivo coletivo pós-2025, reforçando a meta de alcançar mais de US$ 1 trilhão por ano até 2035 para as nações em desenvolvimento.
Caroline Vitorino
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