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Coreia do Norte confirma envio de tropas para a Rússia: “missão sagrada”

A decisão está amparada no tratado de associação estratégica assinado com Moscou em junho de 2024.

A Coreia do Norte confirmou oficialmente, nesta segunda-feira (28), que enviou tropas à Rússia para apoiar a ofensiva militar contra a Ucrânia. A decisão está amparada no tratado de associação estratégica assinado com Moscou em junho de 2024.

Segundo a agência estatal KCNA, militares norte-coreanos participaram da retomada da região de Kursk, no oeste da Rússia, em uma ação descrita como cumprimento de uma ordem direta do líder Kim Jong-un. A nota repete a narrativa do Kremlin ao afirmar que a Ucrânia teria invadido território russo com apoio de países ocidentais, e destaca o papel "essencial" das tropas da Coreia do Norte na operação.

O regime norte-coreano classificou a missão como uma vitória da "justiça sobre a injustiça" e como um novo marco na aliança militar entre os dois países. Kim afirmou que o envio das tropas foi uma "missão sagrada" em defesa da honra nacional e anunciou que será construído um memorial em Pyongyang para homenagear os soldados mortos. O comunicado também menciona medidas especiais para apoio às famílias dos combatentes, sinalizando a possível confirmação de baixas norte-coreanas no conflito.

De acordo com a KCNA, Kim autorizou o envio das tropas após considerar que a situação militar preenchia os requisitos do Artigo 4 do tratado bilateral, que prevê auxílio mútuo em caso de guerra.

Em resposta, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul condenou a decisão. O porta-voz Jeon Ha-kyu afirmou que o envolvimento oficial da Coreia do Norte na guerra representa uma violação da Carta da ONU e das resoluções do Conselho de Segurança. Um representante da chancelaria sul-coreana também criticou a postura de Pyongyang e Moscou, acusando ambos de desrespeito à comunidade internacional ao negarem a atuação militar antes de finalmente admiti-la.

A confirmação norte-coreana ocorreu dois dias após o presidente russo Vladimir Putin reconhecer, em videoconferência com o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, a participação de soldados norte-coreanos no front. Segundo o Kremlin, tropas do Exército Popular da Coreia atuaram "ombro a ombro" com os russos na ofensiva em Kursk. Putin elogiou os soldados estrangeiros por "defenderem nossa pátria como se fosse a deles" e prometeu homenagens aos combatentes mortos. Gerasimov também destacou a "ajuda significativa" dos aliados asiáticos na derrota das forças ucranianas na região.

A Coreia do Sul estima que mais de 10 mil soldados norte-coreanos foram enviados à Rússia desde outubro, e que cerca de 3 mil se somaram ao contingente nos primeiros meses de 2025. Milhares de baixas já teriam ocorrido, e dois soldados norte-coreanos foram capturados vivos pelas tropas ucranianas em janeiro, conforme imagens divulgadas por Kiev.

A aliança entre Rússia e Coreia do Norte tem se aprofundado desde a assinatura do tratado, com relatos de troca de apoio militar por ajuda econômica, em meio às sanções internacionais que isolam o regime de Pyongyang.

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