A plataforma X encaminhou comentários formais ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no contexto da investigação aberta contra o Brasil. O processo, conduzido com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, analisa ações, políticas e práticas brasileiras que, segundo Washington, podem impor barreiras injustas ao comércio norte-americano, especialmente no setor digital.
Nos documentos enviados, a plataforma expressa “sérias preocupações” com a liberdade de expressão e a aplicação das regras legais no Brasil. Para a empresa, as práticas adotadas no país impactam negativamente os prestadores de serviços digitais norte-americanos e merecem atenção especial do governo dos EUA.
Entre os pontos destacados está a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho deste ano, que declarou parcialmente inconstitucional o Artigo 19 do Marco Civil da Internet. Segundo o X, a mudança abre caminho para que as redes sociais sejam responsabilizadas por conteúdos ilegais sem a necessidade de revisão judicial prévia, o que, na avaliação da empresa, aumenta a "incerteza jurídica" e pode restringir o acesso ao mercado digital entre os dois países.
X submitted comments to the U.S. Trade Representative (USTR) investigation into Brazil’s actions, policies, and practices that may unfairly burden US commerce and US social media platforms in particular. X’s comments highlight serious concerns regarding the need for protection of…
— Global Government Affairs (@GlobalAffairs) August 19, 2025
O documento enviado ao USTR também critica decisões judiciais brasileiras que determinam a remoção global de conteúdo. A plataforma argumenta que tais medidas obrigam a exclusão de publicações que permanecem legais em outras jurisdições, incluindo os Estados Unidos. Além disso, o X relembra que, desde 2020, o Supremo Tribunal Federal ordenou a desativação de perfis de usuários, incluindo políticos e jornalistas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
A empresa ainda afirma que a “vasta maioria” dessas decisões ocorreu sob sigilo, impedindo que os usuários tivessem o direito à defesa. O X entende que essas ações têm impacto direto na atuação de empresas norte-americanas no Brasil e reforça a necessidade de uma revisão internacional do caso. A investigação do USTR ainda está em andamento, e poderá levar à adoção de medidas comerciais por parte dos Estados Unidos, caso sejam identificadas práticas consideradas desleais ou discriminatórias.
Francielle Barroso
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