Neste domingo (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que alguns norte-americanos podem receber algum tipo de dividendo ou distribuição de dinheiro proveniente das tarifas impostas pelo país a seus parceiros comerciais.
Trump declarou aos repórteres, antes de embarcar no Air Force One, após deixar seu clube de golfe em Nova Jersey, que “pode haver uma distribuição ou um dividendo para o povo de nosso país. Eu diria que, para as pessoas de renda média e baixa, poderíamos fazer um dividendo”.
Detalhes sobre como seria a medida não foram citadas pelo presidente. Ele anunciou, na última quinta (31/7), um novo pacote de tarifas contra mais de 60 países que sofreu a maior taxa com 50%, incluindo o Brasil.
A receita proveniente de impostos cobrados sobre mercadorias importadas cresceu de forma dramática até agora, mesmo antes das últimas tarifas entrarem em vigor. Juntamente com alguns impostos especiais, as taxas alfandegárias geraram US$ 152 bilhões (R$ 876 bilhões) até julho, aproximadamente o dobro dos US$ 78 bilhões (R$ 432 bilhões), de acordo com dados do Tesouro obtidos no mesmo período do ano fiscal anterior.
Trump cita rotineiramente a medida como evidência de que sua abordagem comercial, que semeou incerteza e começou a aumentar os preços para os consumidores, se trata de uma vitória para os Estados Unidos. O dinheiro das tarifas ajudaria, de acordo com os membros de sua administração, a tapar o buraco criado pelos amplos cortes de impostos aprovados pelo Congresso no mês passado, que devem custar ao governo pelo menos US$ 3,4 trilhões (R$ 19 trilhões).
Nas redes sociais, logo após um fraco relatório de empregos mostrar sinais de tensão no mercado de trabalho, divulgado na sexta-feira (1°), Trump disse: "A boa notícia é que as tarifas estão trazendo bilhões de dólares para os EUA!"
Analistas esperam que, caso mantidas, as tarifas possam valer mais de US$ 2 trilhões (R$ 11 trilhões) em receita adicional na próxima década. A maioria dos economistas esperam que isso não aconteça e que os Estados Unidos abandonem as novas barreiras comerciais. Mas alguns reconhecem que um fluxo tão substancial de receita pode acabar sendo difícil de abandonar.
"Acho que isso é viciante", disse João Gomes, economista da Wharton School da Universidade da Pensilvânia. "Acho que é muito difícil abrir mão de uma fonte de receita quando a dívida e o déficit são o que são", afirmou.
Alice Gabrielly
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