O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (01) que poderá declarar seu país “em armas” caso sofra alguma agressão externa. A ameaça acontece em meio a tensão com os Estados Unidos, que mobilizaram navios de guerra no Mar do Caribe. “Se a Venezuela fosse atacada, entraríamos imediatamente em um período de luta armada, em defesa do território nacional e do povo da Venezuela”, declarou Maduro, em coletiva de imprensa.
Segundo Maduro, a Venezuela segue uma estratégia de defesa planejada “há 20 anos”, com foco tanto na diplomacia quanto no uso de força militar. Ele acusou ainda os EUA de mobilizar oito navios militares armados com 1,2 mil mísseis e um submarino nuclear, o que considerou uma “ameaça extravagante, imoral e criminosa”.
Na quarta-feira anterior (27), o líder chavista já havia acusado Washington de violar o Tratado de Tlatelolco, que proíbe a presença de armas nucleares na América Latina e no Caribe. A Casa Branca chegou a negar intenções militares contra a Venezuela e afirmou que a operação no Caribe tem como objetivo combater o tráfico de drogas. Contudo, durante uma reunião emergencial da Celac, o chanceler venezuelano, Yván Gil, chamou de “desculpa” a justificativa dos EUA e classificou como “história falsa” as acusações de envolvimento da Venezuela com o suposto “Cartel de los Soles”, organização que Washington alega ser liderada por Maduro.
A tensão diplomática se intensificou após os EUA dobrarem, no dia 7 de agosto, a recompensa por informações que levem à prisão e condenação de Maduro, fixando o valor em US$ 50 milhões.
A medida foi acompanhada de declarações da procuradora-geral do Governo de Donald Trump, Pam Bondi, que classificou Maduro como “um dos maiores traficantes de drogas do mundo”, com ligações ao grupo venezuelano Tren de Aragua, ao Cartel de los Soles e ao Cartel de Sinaloa, do México.
Francielle Barroso
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