A ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a prisão do presidente Nicolás Maduro, gerou reação da Organização das Nações Unidas. O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a operação como uma violação grave do direito internacional e alertou para os riscos do uso da força em disputas políticas entre Estados.
Em artigo publicado no jornal The Guardian, Türk afirmou estar “profundamente perturbado” com os acontecimentos no país sul-americano. Para ele, a ação norte-americana rompe um princípio básico das relações internacionais, segundo o qual nenhum país deve recorrer à força militar para impor demandas políticas ou reivindicações territoriais.
The U.S. military operation in Venezuela undermines a fundamental principle of international law: States must not use force to pursue their territorial claims or political demands.
— Volker Türk (@volker_turk) January 6, 2026
Venezuelan society needs healing and the country’s future must be decided by its people.
Embora faça duras críticas ao histórico recente do governo venezuelano, Türk ressaltou que seu escritório na ONU vem denunciando há anos as violações de direitos humanos cometidas pelo regime de Maduro. Ainda assim, destacou que a reconstrução da Venezuela exige justiça, respeito aos direitos fundamentais e estabilidade institucional, não militarização ou novos episódios de violência.
O alto comissário também afirmou que ataques à soberania de um Estado enfraquecem o sistema internacional como um todo e tornam o cenário global mais inseguro. Segundo ele, mesmo diante de regimes autoritários, a adoção de ações unilaterais compromete normas que protegem todos os países.
Na avaliação de Türk, a comunidade internacional precisa ir além do discurso. Ele defendeu que os países passem a agir de forma concreta na defesa da Carta da ONU e do direito internacional, alertando que a omissão ou a relativização dessas normas pode gerar consequências graves.
O tema foi debatido no Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira (5/1), quando a maioria das delegações que se manifestaram criticou a operação dos Estados Unidos. Washington, por sua vez, justificou a ação ao classificar Maduro como “narcoterrorista” e negou estar em guerra contra a Venezuela ou seu povo.
Também nesta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “extremamente preocupado” com o risco de escalada da instabilidade no país, possíveis impactos regionais e o precedente que a ação pode estabelecer para as relações entre Estados.
Leandro Soares
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