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Internacional

Irã reage à UE e passa a tratar forças europeias como grupos terroristas

Presidente do Parlamento, Mohammad Bagher, justificou a medida com base no Artigo 7 da Lei iraniana.

O Parlamento do Irã reagiu à decisão da União Europeia de classificar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) como organização terrorista e anunciou, neste domingo (1º), que passará a considerar as forças armadas dos países do bloco europeu como grupos terroristas. Durante a sessão realizada em Teerã, parlamentares compareceram vestindo o uniforme verde da IRGC e entoaram slogans contra os Estados Unidos, Israel e a Europa.

O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, justificou a medida com base no Artigo 7 da lei iraniana sobre a Guarda Nacional, que trata da designação de entidades como organizações terroristas. Em discurso transmitido pela televisão estatal, Ghalibaf classificou a decisão europeia como “irresponsável” e afirmou que ela foi tomada “em conformidade com ordens do presidente americano e dos líderes do regime sionista”.

Foto: ReproduçãoBandeira Iraniana
Bandeira Iraniana

A deliberação ocorreu no aniversário de 47 anos do retorno do aiatolá Ruhollah Khomeini ao Irã, marco histórico que antecedeu a fundação da República Islâmica, em 1979. Atualmente, a IRGC desempenha um papel central tanto no campo ideológico quanto no militar, sendo encarregada de proteger o regime contra ameaças internas e externas, embora também seja alvo de acusações de repressão violenta a protestos recentes, que teriam resultado em milhares de mortes.

Na quinta-feira (29), a União Europeia formalizou a inclusão da Guarda Revolucionária em sua lista de organizações terroristas, seguindo medidas semelhantes adotadas anteriormente por Estados Unidos, Canadá e Austrália. Para Ghalibaf, a reação europeia acabou fortalecendo o apoio interno à IRGC e “acelerou o caminho da Europa para se tornar irrelevante na futura ordem mundial”.

O cenário atual é marcado por uma troca de ameaças entre Irã e Estados Unidos, embora ambos os países indiquem disposição para retomar as negociações, apesar do agravamento das tensões. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou neste sábado (31) que, “ao contrário do alarde criado pela guerra midiática fabricada, os arranjos estruturais para as negociações estão avançando”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou, em entrevista à emissora Fox News, que as tratativas com o Irã continuam em andamento, embora tenha reiterado ameaças de ação militar contra o país.

Trump declarou acreditar na possibilidade de um acordo futuro com Teerã envolvendo os programas nuclear e de mísseis, em vez de um confronto armado, e mencionou o envio de uma frota militar para a região. O governo iraniano, por sua vez, sinalizou abertura para discutir o programa nuclear, desde que as questões relacionadas a mísseis e defesa fiquem fora da mesa de negociações.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou, no sábado, durante uma conversa telefônica com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, que “uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região”.

No mesmo dia, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, esteve em Teerã com o objetivo de “reduzir as tensões”, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores do Catar.

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