O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, agradeceu publicamente aos Governos do Brasil, México e Espanha após comunicado conjunto criticando uma possível intervenção militar dos Estados Unidos na ilha. O gesto ocorre em meio ao agravamento do bloqueio econômico e de restrições energéticas impostas pelos EUA.
Em mensagem nas redes sociais no sábado (18), Rodríguez destacou a importância da declaração assinada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pedro Sánchez (Psoe-Espanha) e Claudia Sheinbaum (Morena-México). Segundo o chanceler, o documento expressa preocupação com a crise humanitária em Cuba e cobra respeito à integridade territorial do país, pedindo que sejam evitadas ações contrárias ao Direito Internacional.
Carta da ONU
Rodríguez reforçou a urgência de respeitar a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional. “É urgente respeitar a Carta da ONU e o Direito Internacional, em particular, os princípios da autodeterminação, o respeito pela independência e soberania dos povos e a abstenção da ameaça e do uso da força”, disse no X.
Compromissos em Barcelona
O texto foi divulgado após o fórum Mobilização Progressista Global, em Barcelona, com presença dos três presidentes. Os líderes ressaltaram a necessidade de medidas para amenizar a situação em Cuba e afirmaram compromisso em coordenar esforços humanitários para aliviar o sofrimento da população. Também pediram que não sejam tomadas decisões que piorem as condições de vida na ilha.
Declarações de Lula
Durante o evento, Lula defendeu o fim do bloqueio. “Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos, não um problema do Lula, da Claudia e do Trump: é um problema do povo cubano. Parem com esse maldito bloqueio a Cuba e deixem os cubanos viverem a vida deles”, declarou. Rodríguez agradeceu: “Obrigado, Lula, pela sua enfática denúncia do bloqueio dos EUA contra o povo cubano”.
Agravamento da crise energética
A tensão aumentou depois de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciar em janeiro a imposição de tarifas para países que exportam petróleo à ilha. Trump justificou a medida alegando que Cuba abriga bases de adversários dos EUA, o que representaria ameaça direta à segurança nacional norte-americana. O México, entre outros, suspendeu exportações de petróleo para Cuba, agravando a crise energética local, marcada por cortes frequentes no fornecimento de eletricidade.
Desde a captura de Nicolás Maduro em janeiro, os EUA também vetaram o envio de petróleo venezuelano à ilha. Em março, Trump autorizou entregas pontuais de petróleo russo para Cuba, mas a situação permanece crítica.
Temor de intervenção
Recentemente, Trump declarou que “Cuba será a próxima”, ao comentar operações militares dos EUA em outros países, como Venezuela e Irã. “Cuba é uma nação em colapso”, afirmou. “Vamos levar a cabo essa iniciativa [operação no país], e é possível que façamos uma parada em Cuba uma vez que tenhamos concluído isso [a guerra no Irã].”
De acordo com reportagem do jornal USA Today publicada na quarta-feira (15), o Departamento de Defesa dos Estados Unidos intensificou o planejamento estratégico para uma eventual operação militar em Cuba, elevando a preocupação internacional com o futuro da ilha caribenha.
Wanessa Gommes
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