Uma nova ofensiva russa atingiu Kiev na madrugada desta segunda-feira (06) e deixou um rastro de destruição na capital da Ucrânia. O ataque, realizado com mísseis e drones, provocou a morte de pelo menos 14 pessoas e deixou outras 117 feridas, além de causar danos em diversos prédios residenciais e outras estruturas civis espalhadas pela cidade.
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 68 mísseis, entre eles armamentos balísticos e hipersônicos, além de 351 drones. As defesas aéreas conseguiram interceptar a maior parte dos equipamentos não tripulados e parte dos mísseis, mas não conseguiram impedir o impacto dos projéteis mais rápidos. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a autoria da operação e informou que utilizou armas de longo alcance e drones em um bombardeio classificado pelo próprio governo como "massivo". As informações foram divulgadas pelo jornal britânico The Guardian.
Em comunicado publicado no Telegram, Moscou afirmou que os principais alvos eram instalações militares, estruturas de energia localizadas em Kiev e regiões próximas, além de aeródromos militares em outras províncias do país. Já as autoridades ucranianas contestaram essa versão e afirmaram que os ataques atingiram principalmente áreas civis.
O chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, informou que o número de vítimas ainda é considerado provisório e pode aumentar nas próximas horas. Equipes de resgate continuam trabalhando entre os escombros na tentativa de localizar sobreviventes, enquanto dezenas de pessoas permanecem internadas em estado grave, entre elas várias crianças.
A ofensiva começou pouco depois da 1h da madrugada e se estendeu por várias horas. Durante os bombardeios, ao menos 15 edifícios residenciais de vários andares foram destruídos ou sofreram graves danos. Segundo Tkachenko, muitos dos ataques ocorreram enquanto moradores dormiam em suas casas. O novo ataque acontece na véspera da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para começar nesta terça-feira (07), em Ancara, capital da Turquia. O encontro deve reunir líderes internacionais para discutir temas ligados à segurança e ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
À margem da reunião, está prevista uma conversa reservada entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A expectativa é de que os dois líderes discutam os próximos passos da guerra e o apoio internacional à Ucrânia.
Após o bombardeio, Zelensky voltou a cobrar uma resposta mais contundente dos aliados ocidentais. O presidente ucraniano pediu "decisões firmes" durante a cúpula da Otan e afirmou que tanto os Estados Unidos quanto os países europeus têm condições de "pôr fim ao terrorismo russo".
Leandro Soares
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