O presidente da Rússia, Vladimir Putin, está rejeitando os apelos por negociações de paz com a Ucrânia e preparando uma nova escalada do conflito. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9) por três fontes próximas ao Kremlin ouvidas pela agência Reuters sob condição de anonimato.
Segundo essas fontes, Putin continua determinado a conquistar o restante da região de Donbas, no leste da Ucrânia. Os recentes ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo, depósitos de combustível e portos russos teriam reforçado a decisão do líder russo de manter a ofensiva militar. Uma das fontes afirmou que Putin chegou a repreender assessores que sugeriram um acordo baseado em um cessar-fogo nas atuais linhas de frente.
Os ataques ucranianos provocaram incêndios em instalações estratégicas e ampliaram os problemas de abastecimento de combustível em várias regiões da Rússia. Na região de Tver, ao norte de Moscou, um depósito da empresa Tverskaya Neftebaza foi atingido durante a noite. O Ministério da Defesa russo informou ainda que suas defesas antiaéreas derrubaram 73 drones ucranianos sobre 11 regiões do país, além da Crimeia e do Mar de Azov.
A posição do Kremlin contrasta com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou nesta semana que Putin deseja o fim da guerra e que uma solução estaria “mais próxima do que as pessoas imaginam”. Trump também ofereceu ajuda para buscar um acordo durante uma conversa telefônica de cerca de 90 minutos com o líder russo, segundo o assessor do Kremlin Yuri Ushakov.
Apesar do diálogo com Washington, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os Estados Unidos estão enganados ao acreditar que os ataques ucranianos em território russo poderiam acelerar o fim da guerra. A declaração foi feita um dia após Trump autorizar a Ucrânia a produzir mísseis Patriot em cooperação com os EUA durante a cúpula da Otan.
Enquanto Moscou mantém o discurso de buscar uma “solução pacífica”, as ações militares indicam uma intensificação do conflito. Os drones tornaram-se um dos principais instrumentos da estratégia ucraniana para atingir infraestrutura energética e alvos estratégicos dentro da Rússia, ao mesmo tempo em que as forças russas continuam pressionando as frentes de combate no leste e no sul da Ucrânia.
Juliana Andrade
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