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Covid-19: empresário anuncia fechamento do Clube da Luta em Teresina

Em entrevista ao GP1 nesta quarta-feira (24), o empresário Luciano Carvalho disse que está com mais de R$ 20 mil de aluguel atrasado. O clube funcionava em um galpão no bairro de Fátima.

Andressa Martins
Teresina
- atualizado

No ano em que completou 10 anos no mercado, a academia de artes marciais Clube da Luta encerra suas atividades em Teresina. Durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19), a empresa foi uma das milhares que não suportaram a crise financeira oriunda do isolamento social e decidiram fechar as portas.

Em entrevista ao GP1 nesta quarta-feira (24), o proprietário da academia, Luciano Carvalho, destacou as dificuldades enfrentadas pelo setor diante das regras de isolamento impostas pelo governador Wellington Dias e o prefeito Firmino Filho. Para o empresário, o agravante da crise foi a falta de perspectiva para o retorno das atividades. A academia de artes marciais funcionava em um galpão no Bairro de Fátima, na zona leste da capital.

  • Foto: Reprodução/InstagramLuciano Pinheiro CarvalhoLuciano Pinheiro Carvalho

"A decisão foi tomada depois de 100 dias fechados e sem perspectivas. Fomos a primeira atividade a parar e provavelmente seremos uma das últimas a reiniciar e a cada dia que passa, a bola de neve aumenta. Nosso projeto, inicialmente era 15 dias de quarentena, dava para segurar. Mas começou prorrogação, prorrogação e a gente perdeu as esperanças de que vai voltar agora dia 6, como prometido. No virar do mês vai virar mais um aluguel”, desabafou o empresário.

R$ 20 mil de aluguel atrasado

"O meu aluguel é caríssimo, é um galpão próximo à Nossa Senhora de Fátima. A cada prorrogação de prazo, aumenta meu débito e hoje estou com mais de 20 mil reais de aluguel atrasado. Não tem mais como manter”, lamentou Luciano Carvalho.

  • Foto: Repreodução/FacebookAcademia Clube da LutaAcademia Clube da Luta

Empresários sem proteção

Luciano avaliou que os empresários estão sem proteção dos governos, tendo em vista que não há uma medida para garantir a diminuição dos valores de aluguéis de pontos comerciais, colocando nas mãos de locatários o bom senso de diminuir o preço cobrado.

"Tentamos negociar o aluguel, tentamos financiamento bancário, tentamos todos os tipos de financiamentos, empréstimos para sobreviver, mas não deu mais. A cada virada de mês chega água, luz, internet, funcionário e o aluguel, que é o que pra mim está pesando. Se tivesse uma medida que nos protegesse, pelo menos os aluguéis comerciais, que a gente pudesse renegociar, mas não, a gente ficou nas mãos do proprietário", afirmou o empresário.

10 anos de mercado

Em 2020 a empresa completou 10 anos de mercado e o proprietário decidiu investir para expandir a academia. Sem auxílio de banco e apenas com recursos próprios, Luciano usou suas reservas e foi pego de surpresa com a pandemia.

"Minha empresa tem 10 anos de funcionamento. Começou pequena, no quintal da minha casa, conquistamos mais de 300 alunos e começamos a expansão. Neste ano comemoramos 10 anos de academia, mas 100 dias fechado ficou inviável, pois foi justamente no ano de expansão. Fiz um investimento muito alto para conseguir um local bom, o investimento é todo em recurso próprio, não tem banco envolvido e eu fiquei sem capital e fui pego de surpresa”, lamentou.

Professores desempregados

Embora trabalhe com parceria e não tenha professores com carteira assinada, Luciano explicou que os profissionais que dão aula na academia estão sem receber salário. "Trabalhamos por parceria. O professor da aula e recebe por turma, 50%. Tínhamos seis professores nessa situação, esta todos seis desempregados. Como é parceria, eles recebiam por aluno e como não tem aluno, ninguém está recebendo”, disse Luciano Carvalho.

Demissão em massa

O empresário, que tem amigos no ramo de academias, informou que está "todo mundo quebrado” e que quando retomarem as atividades, o setor não vai aguentar e haverá demissão em massa.

"Hoje em Teresina a gente tem em média 500 academias, 7 mil funcionários na área e pela visão que a gente tem, está todo mundo quebrado. O pior ainda está por vir. Hoje com a suspensão dos contratos, os funcionários estão recebendo seu auxílio, seus salários. Mas quando voltarem e os salários forem suspensos, que os proprietários tiverem que voltar as atividades, o operacional lá em cima e 100 dias de atraso, vai ter uma demissão em massa. Hoje está todo mundo seguro, mas quando voltar com 100% de custo e 30% de receita, vai ter demissão em massa”, finalizou o empresário Luciano Carvalho.

Fechamento de empresas

Desde o início da grave crise causada pela pandemia de coronavírus no Piauí vários empresários anunciaram o fechamento de empresas.

O educador físico e empresário Demóstenes Ribeiro anunciou em entrevista ao GP1 o fechamento de duas academias e ressaltou que pode fechar uma terceira, caso as atividades econômicas não sejam retomadas no Piauí.

O empresásio Bob Ziegert anunciou na tarde desta segunda-feira (22), o fechamento de um dos maiores resorts do litoral piauiense, o luxuoso BobZ, localizado no povoado Barrinha, região de Barra Grande, município de Cajueiro da Praia. O proprietário do hotel afirmou que a atual situação é “insustentável”.

Danilo Damásio é outro empresário que vem sofrendo bastante com os decretos de Governo do Estado e Prefeitura de Teresina. Nesta quarta-feira (24), ele anunciou o fechamento do Motel Garden, localizado na zona sul de Teresina.

O Restaurante Poco Loko Gastrobar, localizado na zona leste de Teresina, também divulgou por meio de suas redes sociais uma nota nesta quarta-feira (24), informando que encerrou as atividades em Teresina.

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