Coronavírus no Piauí

Sinte defende que ainda não é o momento de retorno das aulas no Piauí

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Piauí divulgou uma carta aberta a sociedade, se colocando contra o retorno das aulas presenciais na rede estadual de ensino.

Thais Guimarães
Teresina
- atualizado

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Piauí (Sinte-PI) divulgou uma carta aberta a sociedade nesta sexta-feira (25), se colocando contra o retorno das aulas presenciais na rede estadual de ensino, após a Secretaria de Estado da Educação do Piauí (Seduc) anunciar a retomada para alunos da 3ª série do ensino médio (regular, integrado e VII etapa da EJA), nas escolas da rede pública estadual de ensino, a partir do dia 19 de outubro.

O Sinte ressalta que, em meio a pandemia do novo coronavírus (covid-19) a prioridade deve ser a segurança e saúde de professores e estudantes, e que por isso, não é o momento para retornar as aulas. “O Sinte Piauí reafirma seu compromisso com a defesa da vida e do direito à educação. No atual cenário da pandemia causada pelo novo coronavírus a nossa missão primordial comporta o cuidado com as nossas vidas e com as vidas dos outros, assim, defendemos que não é o momento da reabertura das escolas”, diz um trecho.

O sindicato destaca ainda que os trabalhadores da educação querem o retorno das aulas presenciais, no entanto, isso deve ocorrer somente após uma garantia de segurança. “Nós, trabalhadoras e trabalhadores em educação, mais do que ninguém queremos o retorno das aulas presenciais, mas, ninguém tem, visceralmente, mais conhecimento de causa sobre as condições de nossas escolas e a dinâmica pedagógica necessária, associada aos protocolos sanitários, para um retorno seguro para todos”, consta na nota.

Leia a nota do Sinte na íntegra:

O Sinte Piauí reafirma seu compromisso com a defesa da vida e do direito à educação. No atual cenário da pandemia causada pelo novo corona vírus a nossa missão primordial comporta o cuidado com as nossas vidas e com as vidas dos outros, assim, defendemos que não é o momento da reabertura das escolas.

Na perspectiva de retorno das aulas presenciais, no estágio atual da crise sanitária, soa falso o discurso do governo estadual, no que diz respeito ao cumprimento dos protocolos necessários para preservar a vida, frente a histórica precariedade estrutural das nossas escolas, sempre denunciada pelo Sinte Piauí, acentuando-se que, em quase 20 anos no poder, o propalado choque na educação piauiense, prometido no primeiro mandato de Wellington Dias, não passou de uma farsa, exposta, por exemplo, na nefasta pretensão de subverter os 60% do precatório do Fundef em prol de seus interesses, em detrimento dos trabalhadores.

Neste debate, a Seduc-PI desconsidera a voz dos protagonistas da educação pública, trabalhadoras e trabalhadores que se desdobram, muitas vezes sob precárias condições, para manter o nível de ensino, inclusive melhorando os índices educacionais do Piauí, por méritos da categoria, com muitos fazendo contraturno sem receber qualquer pagamento. Neste caso o governador e o secretário de educação aparecem para os holofotes e fotos, posando de artífices do resultado da nossa dedicação e trabalho duro.

Evidenciamos que, apesar de dois anos de arrocho salarial, sem reajuste do piso, com descontos imorais dos aposentados, do não reconhecimento da subvinculação de 60% do precatório do Fundef para os trabalhadores, da triste guinada de ex-sindicalistas tentando dividir e dobrar o sindicato, nossa entidade procurou por todos os meios institucionais expor a posição da categoria neste caso, mas, repetimos, a voz dos trabalhadores não é ouvida por este governo.

Está claro que o retorno às aulas aumenta o risco de contaminação de trabalhadores, estudantes e de seus familiares. Não há garantia concreta do cumprimento dos protocolos de saúde no transporte escolar, no distanciamento orientado para salas de aulas e no que tange a merenda escolar.

É patente que só é possível retornar às aulas presenciais com a testagem de todos os alunos e profissionais, a implementação dos protocolos necessários e a disponibilidade de vacinação. Logo, defendemos que o processo de ensino aprendizagem se desvincule do ano civil de 2020, na percepção de que se constitui em um processo ininterrupto de formação humana, constatando a improbabilidade de queda significativa das curvas de infectados e de mortos no ano em curso. Nesta compreensão, o aval do governo para a retomada de aulas presenciais sem uma vacina e sem a realização, a contento, das medidas para controle do contágio, é um ato de irresponsabilidade com a vida.

A falta de responsabilidade acarretará mais infectados e mortos em escala genocida. Quem se responsabilizará? Quem pagará o preço por esta crônica de mortes anunciadas? Qual o preço da vida? É válido retornar às aulas presenciais, mesmo arriscando a saúde e a vida das pessoas? Quem assinará os protocolos da morte, Wellington Dias? Ellen Gera?

Mesmo diante de uma das maiores catástrofes da história, comportando, além da crise sanitária, crise econômica, política, social e educacional, não devemos perder a sensibilidade e a responsabilidade. Nós, trabalhadoras e trabalhadores em educação, mais do que ninguém queremos o retorno das aulas presenciais, mas, ninguém tem, visceralmente, mais conhecimento de causa sobre as condições de nossas escolas e a dinâmica pedagógica necessária, associada aos protocolos sanitários, para um retorno seguro para todos.

O Sinte prioriza a vida! Ano letivo se recupera, vidas não.

Trabalhadores em educação, preservem suas vidas. Não retornem as escolas!

Pais e estudantes, preservem suas vidas. Digam não as aulas presenciais

Teresina, 25 de setembro de 2020

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