Representantes do Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) e do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Estado (Sintetro) se reuniram no gabinete da desembargadora Liana Chaib, situado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PI), na manhã desta sexta-feira (08). A audiência de conciliação foi marcada pela presidente do TRT após os empresáriosdo Setut ingressarem com uma ação pedindo a suspensão da greve e a aplicação de um reajuste provisório.
Antes de iniciar a audiência, a desembargadora chamou as duas partes para uma reunião para tentar fazer com que chegassem a um entedimento. No entanto, não houve acordo. Com isso, Chaib tomará uma decisão a respeito da greve ainda nesta sexta e na segunda-feira (11), o desembargador Manoel Edilson, que é o relator do processo, tomará uma decisão final.
- Foto: Brunno Suênio/GP1
Liana Chaib, presidente do TRT
“Nós tentamos. Existem algumas cláusulas que realmente estão difíceis de serem negociadas e então, como já houve o ingresso do dissídio e com o pedido do Setut, no sentido de conceder o ofício para a suspensão da greve até o julgamento do dissídio, eu devo decidir nas próximas horas. Depois, o processo vai para o relator e vai trazer para julgamento de dissídio, que é o desembargador Manoel Edilson”, explicou a desembargadora Liana Chaib.
Em entrevista ao GP1, a advogada do Sintetro, Elenilsa Silva, contou que foi pedido um prazo de 24 horas para que os motoristas e cobradores de ônibus pudessem analisar a proposta dos empresários, porém, como se trata de um serviço essencial para a população, a decisão será da desembargadora. “O Setut havia pedido de forma liminar que fosse decretada a suspensão da greve e aplicação de um porcentual de reajuste provisório. E nós requeremos que fosse concedido o prazo de 24 horas para que nós nos manifestássemos sobre esse pedido, independentemente do prazo para apresentação de contestação. Ela havia acenado de forma positiva para a concessão desse prazo, mas enfim, como se trata de um serviço essencial, ela achou por bem conceder essa liminar inaudita altera pars”, ressaltou.
- Foto: Brunno Suênio/GP1
Elenilsa Silva, advogada do Sintetro
Wallyson Soares, representante do Sintetro, pontuou as duas propostas dos donos das empresas de coletivos que, para a categoria, são inegociáveis visto que prejudica os trabalhadores, como é o caso da mudança no plano de saúde. “Isso têm várias consequências como o prejuízo para as pessoas que irão se aposentar e não terão esse benefício no futuro, então para nós, essa mudança de plano é indiscutível, pois os prejuízos são enormes para a categoria”, afirmou.
Um outro impasse é a dupla jornada de trabalho aos motoristas e cobradores. “A segunda coisa é a segunda pegada. Hoje, o trabalhador entra no serviço e faz uma jornada só. Por exemplo, ele entra 06h e sai 13h, então, o profissional tem a sua tarde livre e, obviamente, quando o empregador precisar de hora de extra, ele vai chamar esse empregado. O que acontece agora é que o empregador quer que o empregado faça dois turnos. Ou seja, ele trabalhar, volta para casa, passa um período ocioso e depois retorna. Isso também é algo inegociável. O sindicato está aberto para discutir os valores, mas sabemos que em uma negociação tem que ter a pré-disposição de conversa dos dois lados e fazer essas concessões”, completou Wallyson.
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