Cristiano Alves Terto, que atirou em um réu durante uma sessão do Júri Popular, em 2023, no Recife, em vingança pela morte do pai, foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE).
A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, na segunda-feira (20), com base no chamado quesito de clemência, mecanismo jurídico que permite aos jurados absolverem o réu mesmo reconhecendo a prática do crime, levando em conta razões humanitárias ou de compaixão.
Segundo a juíza Danielle Christine Silva Melo, presidente do Tribunal do Júri, os jurados reconheceram que houve materialidade, autoria e que o crime ocorreu na forma tentada, mas optaram pela absolvição ao responderem positivamente ao quesito genérico de absolvição, previsto na Lei nº 11.689/2008.
Com a absolvição, a Justiça de Pernambuco determinou a soltura de Cristiano Alves Terto, que estava preso desde o crime.
O caso
O caso aconteceu em novembro de 2023, durante o julgamento de Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura, acusado de assassinar o pai de Cristiano em 2012. Enquanto acompanhava a sessão no fórum, Cristiano sacou um revólver calibre .38 da cintura e disparou várias vezes contra o réu.
As imagens das câmeras de segurança registraram toda a ação. Mesmo após o fim das munições, ele ainda agrediu Francisco com coronhadas. O homem foi atingido por seis tiros, mas sobreviveu.
Cristiano foi preso em flagrante logo após o ataque e teve a prisão preventiva decretada.
O crime que motivou a reação ocorreu em São José de Belmonte, no Sertão de Pernambuco. De acordo com as investigações, Francisco teria ido até a casa da vítima, sob efeito de álcool, para discutir sobre o desaparecimento de um burro de sua propriedade. Durante a confusão, ele atirou contra o pai de Cristiano e fugiu do local.
A vítima chegou a ser socorrida e permaneceu internada por 18 dias, mas não resistiu aos ferimentos.
O julgamento da morte do pai de Cristiano ainda não foi remarcado.
Wanessa Gommes
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