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Setut divulga carta e diz que Prefeitura de Teresina dissemina ataques

"Nos últimos seis meses não existiu nenhuma tentativa de diálogo da Prefeitura de Teresina", diz carta.

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) divulgou, nesta quinta-feira (22), uma carta aberta em defesa do transporte público da Capital.

Segundo o documento, o sistema funcionou e atendeu a contento a população teresinense por anos, mas que não havia como prever uma pandemia mundial.

O sindicato nega ainda a existência de “farra do dinheiro público” como já relatado pelo vice-prefeito e secretário de Finanças, Robert Rios. “Não existe uma 'farra do dinheiro público', como vem sendo falsamente exposto por representantes da Prefeitura de Teresina. O que existe é falta de responsabilidade e de empatia para com os usuários do transporte coletivo da cidade, que estão na ponta do problema e sofrem diariamente com o descaso da gestão municipal, e às empresas do setor, que precisam manter o serviço funcionando para a população teresinense sem nenhum amparo do poder público”, diz trecho.

O Setut criticou ainda a falta de diálogo com a atual gestão. “O descaso é mais flagrante quando percebemos que nos últimos seis meses não existiu nenhuma tentativa de diálogo da Prefeitura de Teresina com os representantes das empresas de ônibus para buscar possíveis soluções para a questão, mas apenas a disseminação de inverdades e ataques”.

Confira abaixo a carta na íntegra

Muitas inverdades vêm sendo contadas a respeito do transporte público de Teresina. Por anos, o sistema funcionou e atendeu a contento a população teresinense, mas não havia como prever uma pandemia mundial, problema, inclusive, que afetou o sistema de transporte em todo o mundo. É importante ressaltar que o repasse feito pela Prefeitura Municipal de Teresina é aplicado no próprio sistema para custear as gratuidades e a redução da tarifa do passe estudantil.

Ao todo, oito categorias de passageiros têm desconto na passagem ou gratuidade total: estudantes, idosos acima de 65 anos, pessoas com deficiência, policiais militares, policiais civis, agentes penitenciários, oficiais de justiça e os passageiros da integração. As empresas de ônibus precisam do repasse feito pelo poder público, previsto em contrato, para manter o sistema. A folha de pagamento de pessoal e o combustível são os maiores custos, além da manutenção dos carros, impostos, investimentos, dentre outras despesas.

Não existe uma “farra do dinheiro público”, como vem sendo falsamente exposto por representantes da Prefeitura de Teresina. O que existe é falta de responsabilidade e de empatia para com os usuários do transporte coletivo da cidade, que estão na ponta do problema e sofrem diariamente com o descaso da gestão municipal, e às empresas do setor, que precisam manter o serviço funcionando para a população teresinense sem nenhum amparo do poder público.

Além disso, a integração gerou um impacto econômico no sistema, pois não houve racionalização imediata da operação para amenizar a perda de receita. O sistema de transporte público continuou funcionando e o nosso único pedido foi que a Prefeitura realizasse os pagamentos mensais em dia, de acordo como prevê o contrato. O descaso é mais flagrante quando percebemos que nos últimos seis meses não existiu nenhuma tentativa de diálogo da Prefeitura de Teresina com os representantes das empresas de ônibus para buscar possíveis soluções para a questão, mas apenas a disseminação de inverdades e ataques. Os representantes das empresas por diversas vezes tentaram criar um canal de diálogo para contribuir com a construção de alternativas para enfrentamento da crise do sistema de transporte. Sem êxito, até então.

Atualmente, quem está pagando para alguém usufruir GRATUITAMENTE do transporte público não é o poder público; quem está pagando é o usuário que paga passagem inteira ou o empresário que compra vale transporte para o seu colaborador. De 2010 a 2020, o número de passageiros reduziu de 7.391.722 para 1.342.419. A situação foi agravada no último ano, inviabilizando que o sistema se mantenha apenas com a bilhetagem das catracas. Além disso, a inserção do transporte clandestino, com o aval do ente público, fez com que os usuários pagantes reduzissem ainda mais.

Desde 2010, os vales transporte são adquiridos para o cartão eletrônico. A compra dos vales é feita pelas empresas através da internet. Os valores são convertidos em créditos para os cartões, que são deduzidos no Sistema de Bilhetagem Eletrônica apenas quando o usuário o utiliza. Da mesma forma acontece com os entes públicos: a compra de bilhetes para os servidores difere do subsídio que deve ser repassado pela Prefeitura de Teresina. Os subsídios são valores repassados ao Fundo Municipal de Transporte (Fumtran), uma conta criada para garantir a transparência dos valores voltados ao sistema.

Dito isto, ressaltamos que não somos contra as gratuidades nem contra a integração. Somos a favor de um transporte público democrático, de qualidade, que atenda às necessidades dos usuários que tanto precisam e só tem esse meio para se locomover. Importante destacar que o nível de qualidade dos serviços DEVE SER DEFINIDO E CONTROLADO PELO PODER PÚBLICO. Para isso, basta autorizar a utilização da tarifa técnica calculada ou, caso esse valor seja alto para os padrões econômicos da cidade, BANCAR o valor que estiver faltando para a devida cobertura dos custos do sistema.

Por fim, ressaltamos que somos a favor de que o sistema seja reestudado, para assim poder atender aos anseios da população, suas necessidades e planejamentos. Prezamos por um serviço de qualidade para todos os usuários, e continuaremos lutando por melhorias, como também cobrando os repasses do poder público, obrigatórios contratualmente, para que o sistema siga funcionando.

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