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Teresina - Piauí

Advogado Francisco das Chagas revela como participou de duplo homicídio

O GP1 já havia divulgado os depoimentos de Guilherme Gonçalves e do empresário João Paulo de Carvalho.

O advogado Francisco das Chagas Sousa, preso acusado de participar do assassinato dos adolescentes Anael Natan Colins Souza da Silva e Luian Ribeiro de Oliveira, foi interrogado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) no dia 08 de fevereiro, data de sua prisão. O GP1 obteve com exclusividade a íntegra do depoimento e divulga nesta segunda-feira (14).

Anteriormente, nossa reportagem já havia divulgado os interrogatórios completos de Guilherme Gonçalves Sousa, filho de Francisco das Chagas, e do empresário João Paulo de Carvalho Gonçalves, dono do Frango Potiguar. Os dois também estão presos desde o dia 08 de fevereiro.

Na oitiva conduzida pelo delegado Luiz Guilherme, o advogado Francisco das Chagas conta como ele e o filho imobilizaram os dois garotos até a chegada de João Paulo, que, junto com Guilherme, levou Anael e Luian para serem assassinados.

Veja abaixo os principais trechos do depoimento:

Filho disse alguma coisa depois do crime?

O delegado indagou se Guilherme Gonçalves havia dito alguma coisa ao chegar, depois de ter levado os meninos com João Paulo. “Ele não disse nada, só disse que tinha resolvido, só isso, entrou pro quarto dele, deitou e dormiu”, declarou.

Foto: Alef Leão/GP1Advogado Francisco das Chagas Sousa foi preso pelo DHPP
Advogado Francisco das Chagas Sousa foi preso pelo DHPP

Como os garotos foram imobilizados

Francisco das Chagas relata que na noite do dia 12 de novembro estava em sua residência quando ouviu latidos dos cachorros e saiu para ver o que era. Ele afirma que os dois adolescentes o pegaram e começaram a lhe agredir fisicamente.

“Eles estavam há aproximadamente uns 15 metros, aí eles me arrastaram, quando eles viram que estava com a lanterna, não tinha arma nenhuma, me agarraram e me arrastaram. Eu me aproximei. Eu disse: ‘para aí rapaz, o que vocês estão fazendo na minha casa?’, só disse assim. Aí eles viram que eu não tinha arma nenhuma, só estava com a lanterna, e partiram pra cima de mim”, colocou.

Luta corporal

“Me arrastaram, saímos lutando, dando murro pra cá e pra acolá [sic] e me arrastaram, foi quando eu gritei meu filho Guilherme. Me chutaram, fizeram tudo comigo, me chamaram de ‘velho filha da p**’, ‘nós vamos te matar, tu e tua família, tá pensando o quê?’. Aí chutaram aqui [apontando para a costela], eu disse ‘rapaz, eu sou operado dos rins’”, detalhou o advogado.

Eles usaram algum instrumento?

Questionado se os dois jovens usaram algum instrumento durante as agressões, Francisco das Chagas disse não saber. “Eu não sei, eu sei que deram umas lapadas aqui [na costela] com algum instrumento que eu não sei o que é que era, não deu pra ver, porque estava escuro. Eu não sei se era pau, se era pedra”, frisou Francisco das Chagas.

Chegada de Guilherme

O advogado falou que gritou pelo filho, Guilherme, e ele foi socorrer. Juntos, eles dominaram e imobilizaram os garotos. “O Guilherme chegou com uma lanterna e eles pensavam que era uma arma e mandou eles pararem. O Guilherme também se agarrou com eles ainda, porque eles estavam batendo em cima de mim e ele puxou um deles. Eu consegui dominar o menor, menor que eu digo na estatura, e o Guilherme, que é mais forte, conseguiu dominar o maior”, esclareceu.

João Paulo

Ainda de acordo com Francisco das Chagas, quando João Paulo chegou na sua casa os meninos estavam somente imobilizados, e não amarrados. “Não estavam [amarrados]. Depois foi que nós amarramos com a fita”, contou.

Polícia foi até a residência

O delegado lembrou de uma declaração feita por Francisco das Chagas, de que uma equipe da Polícia Militar chegou a ir até a residência naquela noite, mas os policiais foram dispensados.

“A polícia chegou lá perguntando dizendo que ia resolver um negócio do meu filho, para acabar a ‘zuada’ lá, porque ninguém consegue dormir, há uns dois anos que a gente vem tentando acabar com esse negócio lá. E a polícia chegou perguntando onde era, e eu disse ‘é aqui, moço, bem do lado, nessa casa vizinha aqui’”, respondeu o advogado Francisco das Chagas.

Amauri Mendes

O advogado também foi indagado se Amauri Mendes, esposo de sua sobrinha – cunhado de João Paulo – teve alguma participação. “O Guilherme e o João Paulo [levaram os garotos no carro]. O Amauri não. O Amauri quando chegou com a esposa dele foi direto para socorrer minha mulher, que ela estava muito abalada lá. A Marcela e o esposo dela, Amauri não foram lá não”, ressaltou.

Foto: Alef Leão/GP1Francisco das Chagas Sousa foi preso pelo DHPP
Francisco das Chagas Sousa foi preso pelo DHPP

Adolescentes seriam levados à polícia?

Segundo Francisco das Chagas, quando Guilherme e João Paulo estavam colocando Anael e Luian no carro e ele perguntou se os rapazes seriam levados para a polícia. “Eu disse: ‘para onde é que vocês vão?’, ‘vamos levar para a polícia, papai’, aí eu entrei para acudir minha mulher”, destacou.

Porque não comunicou à PM

Diante dessa afirmação, o delegado perguntou porque Francisco das Chagas dispensou os policiais militares que chegaram logo depois que o filho e o sobrinho tinham saído.

“Quando a polícia chegou os meninos já tinha saído, aí a polícia perguntou onde era que estavam tendo a ‘zuada’, a baderna, que o meu filho tinha ligado. Aí eu disse ‘é essa casa vizinha’, mas já tinha acabado a ‘zuada’ quando a polícia chegou, era mais de 2h da manhã. Aí a polícia disse ‘cadê o pessoal?’, eu disse ‘rapaz, tinha um pessoal aqui, mas já saiu’. A polícia então deu a volta e voltou. O pessoal que estava fazendo balbúrdia na casa”, disse.

Porque assumiu autoria do crime

Questionado sobre o porquê de, em um primeiro momento, ter assumido a autoria dos assassinatos, o advogado respondeu que fez isso para livrar o filho e o sobrinho. “Foi para limpar meu filho. Meu filho e meu sobrinho, meu afilhado. Nós nunca nos metemos em confusão, de jeito nenhum. Os caras entram na casa da gente de madrugada, espancam a gente, e [a gente] ainda é quem paga o pato”, afirmou.

Ao final, Francisco das Chagas disse que o sobrinho João Paulo não chegou na sua casa com a arma na mão. Nos depoimentos de Guilherme e do próprio João Paulo, eles sustentam que a arma estava no porta-luvas do carro, e só foi tirada no momento dos assassinatos.

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