A Polícia Federal está investigando o vereador de Teresina Manoel Bezerra da Silva Neto, o Neto do Angelim (PV), após uma denúncia de compra de votos em sua campanha à reeleição neste ano, na qual não obteve sucesso. O inquérito policial foi instaurado no dia 21 de outubro e o GP1 obteve acesso a degravação de uma ligação telefônica que indica uma negociação entre uma eleitora e um cabo eleitoral do parlamentar.
Na portaria de instauração do inquérito, o delegado José Olegário Pereira Nunes, da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional, menciona a denúncia feita no dia 6 de outubro deste ano por um morador do bairro Santa Maria da Codipi, zona norte de Teresina.
O denunciante encaminhou a gravação de uma ligação telefônica entre a esposa do denunciante e o cabo eleitoral identificado como Saraiva, que seria vinculado a Neto do Angelim.
Transcrição da conversa
O áudio encaminhado a PF tem duração de dois minutos e 57 segundos. Na conversa, a mulher questiona o cabo eleitoral sobre um dinheiro que deveria receber pelo voto dado a Neto do Angelim. Uma terceira pessoa não identificada também tem uma pequena participação na conversa. Veja:
No diálogo, a mulher identificada como Kátia questiona a razão pela qual o cabo eleitoral não iria mais repassar o dinheiro, e ele explica que o acordo seria pagar por votos de determinada seção eleitoral.
Cabo eleitoral tinha R$ 4 mil para distribuir
Em determinado momento da conversa a mulher pergunta: “então o senhor vai ficar com o dinheiro?”. No que o cabo eleitoral identificado como Saraiva responde: “Não vou ficar com dinheiro nenhum, não. Eu recebi só quatro mil reais. Eu vou dar é pra quem vota aqui [sic]”.
Denunciante terá que entregar telefone
Após instaurar o inquérito policial, o delegado José Olegário comunicou o Ministério Público Eleitoral sobre a abertura da investigação e determinou a intimação do denunciante, para que apresente o aparelho telefônico em que foi gravada a conversa encaminhada a polícia.
Outro lado
Procurado por nossa reportagem, Neto do Angelim disse desconhecer a investigação e garantiu que não tem envolvimento com compra de votos. “Desconheço, pois não trabalho desta forma, com compra de voto. Não tenho ninguém sendo investigado”, afirmou.
Thais Guimarães
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