O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) divulgou nota nessa quinta-feira (6) informando que a maioria das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Teresina estão com problema de falta ou escassez de medicamentos e insumos. As unidades são geridas pela Fundação Municipal de Saúde (FMS).
Em outubro, o órgão fiscalizou 21 UBSs da capital, e registrou o problema em praticamente todas as unidades vistoriadas. Nesse novo ciclo de fiscalização, já foram visitadas mais da metade das UBSs da cidade.
Segundo o CRM-PI, há uma falta e escassez quase generalizada de medicações psicotrópicas, alguns anti-hipertensivos (como losartana), antiparasitários, sulfato ferroso para gestantes e sinvastatina. As canetas de insulina chegam, mas não em quantidade suficiente para atender a demanda.
Entre as unidades vistoriadas em outubro, estão a UBS Dep. Alberto Monteiro (povoado Soinho), UBS Dr. Helvídio Ferraz (Todos os Santos), UBS Marlene de Moura Fé (Parque Ideal), UBS Dr. Manoel Ayres (Parque Wall Ferraz), UBS Dr. Antônio Benício Freire e Silva (Santa Maria), UBS Antônio Noronha de Pessoa Filho (Parque Brasil) e UBS Dr. Mariano Mendes (Monte Alegre).
Estrutura
Em algumas das unidades foram identificados problemas na estrutura física, como na UBS Dep. Alberto Monteiro, onde a estrutura física da fachada está deteriorada e janelas e portas são cobertas com papelão, segundo o CRM-PI. Em boa parte das UBSs, também há falta de material para exames de citologia, com os kits em falta ou incompletos.
Outro lado
Em nota, a FMS justificou os problemas afirmando que se tratam de herança da gestão anterior a do prefeito Sílvio Mendes (União Brasil), no caso, Dr. Pessoa. O órgão municipal também informou que foram criados planos de ação a curto, médio e longo prazo para resolver as falhas.
Leia a nota na íntegra:
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) comunica que a nova gestão recebeu a rede de saúde em estado de caos, com uma situação grave, no mês de janeiro deste ano, com registro de problemas estruturais, organizacionais e falta de medicamentos e insumos básicos.
Diante disso, o prefeito Sílvio Mendes decretou estado de emergência na saúde, ação amplamente divulgada. Considerando essa situação crítica, foram criados planos de ação a curto, médio e longo prazo, priorizando as situações mais urgentes.
Em relação às 91 UBS, a Diretoria de Atenção Básica e sua equipe técnica têm atuado incessantemente, indo in loco para resolver os problemas, e têm registrado avanços nas unidades de forma gradativa.
Entre os avanços, destacam-se: Pequenas reformas realizadas em diversas UBS; Implantação do projeto Telenordeste, que permite acesso remoto a médicos especialistas por chamada de vídeo; Instalação de QR Codes nas unidades para consulta transparente sobre a disponibilidade e indisponibilidade temporária de medicamentos; Parceria com a Secretaria de Justiça para reformas em UBS utilizando mão de obra da população carcerária com recursos do Ministério da Saúde; Implantação de telelaudo para agilizar resultados de eletrocardiograma em até 24h; Reabertura de 21 consultórios odontológicos, 8 farmácias e 11 salas de vacina e Início de reparos estruturais permanentes, em andamento, diante do estado crítico de deterioração das unidades.
Quanto à falta de alguns medicamentos, foi iniciada uma requisição administrativa para garantir o abastecimento emergencial da rede. Embora alguns fatores tenham impactado a entrega de determinados itens, medidas corretivas foram adotadas. Estão em andamento processos de licitação regular e aquisições emergenciais para normalizar o fornecimento.
A equipe técnica da FMS segue mobilizada, trabalhando diariamente para superar os desafios e fortalecer a atenção básica no município.
Thais Guimarães
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