A apresentação do relatório final da CPI do Lixo, realizada na terça-feira (02), foi marcada por conflitos internos e culminou na renúncia do presidente da comissão, vereador Fernando Lima (PDT). A leitura do documento ocorreu em reunião interna e expôs divergências entre os membros do colegiado.
O relatório foi apresentado pelo vereador Deolindo Moura, relator da CPI. No momento da votação, Fernando Lima surpreendeu ao votar contra o texto e anunciar sua saída da presidência. O parlamentar argumentou que o documento não contemplou, de forma adequada, pontos que ele considerava fundamentais, como falhas estruturais, omissões administrativas e a ausência de estudos técnicos nas licitações emergenciais lançadas pela Prefeitura de Teresina na gestão anterior.
Segundo Fernando Lima, havia indícios relevantes que não foram incluídos no relatório. “O valor do lixo inerte é mais barato do que o lixo não inerte, que são podas de árvores e restos de construção. No Brasil, o valor da tonelada do lixo inerte é R$ 56. Aqui em Teresina, o edital previa R$ 159. Isso chamou atenção, e esse apontamento não está no relatório”, afirmou.
Questionado sobre a discordância do presidente, o relator Deolindo Moura minimizou o conflito, classificando a situação como parte natural do debate democrático. Para ele, o ponto central do documento é a defesa da elaboração de um edital permanente para o setor de limpeza pública da capital.
“Nós colocamos a licitação permanente como eixo fundamental. Quanto ao material levantado pela CPI, houve dificuldades em algumas frentes. Não vou criar ‘cavalo de batalha’ sobre algo que não temos certeza absoluta”, explicou.
Apesar da rejeição de Fernando Lima, o relatório foi encaminhado ao Ministério Público do Estado (MPPI) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) para análise. Antes da votação, o texto também passou pela avaliação de técnicos da Câmara Municipal de Teresina.
Caroline Vitorino
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