As bases do atual prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) estão seriamente abaladas. Em pleno primeiro ano deste mandato, após vencer as eleições de 2024, o gestor enfrenta uma crise de articulação na Câmara Municipal que já ultrapassa o campo das divergências pontuais e expõe rupturas dentro de sua própria base aliada.
Os vereadores Samantha Cavalca e Petrus Evelyn, ambos filiados ao Progressistas, têm protagonizado embates públicos que escancaram o grau de desorganização interna no grupo que deveria sustentar o governo no Legislativo.
Recentemente, Samantha acusou Petrus de mentir ao insinuar que ela estaria cobrando espaços na gestão municipal. Em um discurso contundente, a vereadora negou qualquer interesse em ocupar cargos e apontou o próprio prefeito como responsável direto pela crise, alegando falta de liderança e articulação política. “O prefeito não fez a base dele, e por isso está sendo atacado dentro da Casa. Não quero saber de cargo. Quero que ele organize sua base, para aprovar o que for necessário para Teresina”, declarou.
Além disso, Samantha aproveitou para questionar a mudança de postura de Petrus, que antes era crítico do governo estadual, mas que agora, segundo ela, passou a poupar o governador Rafael Fonteles (PT), a Segurança Pública e o secretário Chico Lucas, levantando suspeitas sobre possíveis interesses políticos futuros divergentes da linha adotada pela base municipal.
A situação reforça uma leitura cada vez mais evidente nos bastidores: Sílvio Mendes não conseguiu até agora formar uma base sólida na Câmara, mesmo tendo apoio de partidos expressivos. Os aliados cobram definição de liderança, espaço de diálogo e clareza sobre a condução política da gestão.
Ao prefeito, o recado já está dado: ou recompõe sua base política com urgência, ou seguirá vulnerável a conflitos internos, sabotagens parlamentares e instabilidade.
Caroline Vitorino
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