A equipe jurídica de Ilze Maria de Araújo encaminhou direito de resposta ao GP1, nesta quarta-feira (16), em relação à matéria “Paciente é indiciada por ameaça e injúria contra médico em hospital de Teresina; vídeo”. No comunicado, os advogados afirmam que não houve qualquer ameaça ou agressão por parte da paciente contra o profissional de saúde, destacando que a reação de Ilze ocorreu em um contexto de dor intensa e recusa de atendimento, e não teve caráter violento.
No esclarecimento, os advogados de Ilze afirmam que a paciente, portadora de fibromialgia crônica em grau severo, sofre de uma doença neurológica que provoca dores intensas, fadiga extrema e comprometimento emocional, exigindo acompanhamento médico contínuo e uso de medicamentos controlados, como Tramadol e Morfina, prescritos por sua médica assistente.
De acordo com a defesa, mesmo com decisão judicial proferida em fevereiro deste ano obrigando o plano de saúde Hapvida a fornecer a medicação durante crises agudas, a paciente vem enfrentando recusa sistemática por parte da equipe hospitalar, que, segundo a nota, estaria sendo orientada pela administração a não cumprir a ordem judicial sob pena de demissão.
A defesa alega ainda que a tentativa de criminalizar a paciente desvia o foco da real violação de direitos, que seria a recusa de assistência médica adequada, mesmo diante de laudos, prescrição válida e decisão judicial favorável.
Por fim, os advogados informam que Ilze Maria já prestou todos os esclarecimentos às autoridades competentes e que serão tomadas medidas legais para responsabilizar civil e criminalmente os responsáveis pela suposta recusa de atendimento e pela distorção dos fatos.
Confira a nota na íntegra
A Sra. Ilze Maria de Araújo, por meio de sua assessoria jurídica, vem a público esclarecer os fatos relacionados à reportagem que circula em meios de comunicação acerca de um suposto episódio de injúria e ameaça ocorrido nas dependências do Hospital Rio Poty – Hapvida, envolvendo o médico Júlio Benício Oliveira.
Antes de qualquer julgamento apressado, é fundamental destacar que a Sra. Ilze é portadora de fibromialgia crônica em grau severo (CID M79.7), uma doença neurológica que provoca dores intensas e generalizadas, muitas vezes incapacitantes, além de fadiga extrema e comprometimento emocional. Essa condição exige acompanhamento médico contínuo e, em casos de crise aguda, uso de medicamentos controlados, como Tramadol e Morfina, de aplicação endovenosa, conforme prescrição da médica assistente (CRM/PI 3452).
Apesar da prescrição médica clara, o plano de saúde Hapvida recusou reiteradamente o fornecimento da medicação, mesmo após decisão judicial proferida em 28 de fevereiro de 2025, que determinou à operadora a garantia da medicação durante os atendimentos de urgência, conforme avaliação do médico plantonista. A sentença inclusive previu multa por descumprimento e responsabilização criminal por eventual desobediência.
Contudo, ela vem sofrendo recusa sistemática por parte da equipe hospitalar, que, segundo relatos documentados e provas nos autos, recebeu ordens da administração para não prescrever os medicamentos judicialmente autorizados, sob pena de demissão. Diante de sucessivas crises de dor, em especial na data dos fatos, a Sra. Ilze chegou ao hospital em desespero e, em razão de seu estado físico e emocional, elevou o tom de voz ao ser novamente desprezada e desacreditada em sua dor. Não houve, entretanto, qualquer ameaça ou intenção de agressão.
Trata-se de reação humana frente à negligência institucional sistemática. A própria decisão judicial reconheceu a gravidade do quadro clínico e o direito ao medicamento como medicação de resgate em contexto ambulatorial. A tentativa de criminalizar uma paciente em sofrimento — com laudos médicos, prescrição válida e decisão judicial favorável — evidencia o deslocamento de foco da real violação de direitos sofrida: a recusa de assistência médica adequada.
Reforçamos que a Sra. Ilze jamais se negou a colaborar com as autoridades e já prestou todos os esclarecimentos cabíveis. Sua prioridade segue sendo o respeito ao seu direito à saúde e à dignidade, sendo lamentável que, em pleno século XXI, pacientes em sofrimento físico e mental continuem sendo desrespeitados e estigmatizados.
Por fim, a defesa tomará todas as medidas legais cabíveis para restabelecer a verdade dos fatos, bem como responsabilizar civil e criminalmente aqueles que, por ação ou omissão, contribuíram para o agravamento da condição de saúde da paciente e para a distorção dos acontecimentos perante a sociedade.
O que disse o Hospital Rio Poty – Hapvida
Em nota, o hospital informou que "cumpre integralmente todas as decisões judiciais que lhe são direcionadas, segue rigorosamente a legislação vigente e as normas técnicas para a administração de medicamentos, especialmente os de uso controlado, sempre priorizando o bem-estar e a saúde de cada pessoa atendida".
Confira abaixo na íntegra:
O hospital reafirma seu compromisso com a segurança, o acolhimento e a humanização no cuidado a todos os pacientes. Esclarece que cumpre integralmente todas as decisões judiciais que lhe são direcionadas, segue rigorosamente a legislação vigente e as normas técnicas para a administração de medicamentos, especialmente os de uso controlado, sempre priorizando o bem-estar e a saúde de cada pessoa atendida.
A utilização de qualquer medicação depende de prescrição médica válida e atual, conforme determina a legislação. No caso mencionado, não havia indicação médica que autorizasse o fornecimento dos medicamentos solicitados.
A unidade permanece à disposição para esclarecimentos e reforça seu compromisso com a ética, a transparência e a qualidade da assistência oferecida.
Entenda o caso
A Polícia Civil do Piauí indiciou uma mulher acusada de ameaçar e ofender um médico dentro do Hospital Rio Poty – Hapvida, localizado na zona Norte de Teresina. Ilze Maria de Araújo foi indiciada no dia 27 de maio pelo delegado Josimar Brito, da 2ª Delegacia Seccional de Teresina – Divisão 2.
O caso aconteceu em 24 de abril deste ano. De acordo com o inquérito policial, Ilze teria se exaltado após um desentendimento com o médico, identificado pelas iniciais J.B.O.N., sobre a prescrição de um medicamento.
Segundo o delegado Josimar Brito, os elementos colhidos confirmam que Ilze Maria proferiu ameaças e ofensas contra o profissional. “A materialidade e a autoria dos crimes de ameaça e injúria ficaram comprovadas por meio de indícios consistentes, depoimentos de testemunhas, declarações e um vídeo gravado”, destacou o delegado.
Com base nessas evidências, Ilze Maria de Araújo foi indiciada pelos crimes de ameaça e injúria.
Rodrigo Mendes
Ver todos os comentários | 0 |