Nos corredores políticos do Palácio de Karnak e da Assembleia Legislativa, um tema começa a ocupar espaço nas conversas reservadas: a montagem das chapas para as eleições proporcionais de 2026. A redução do número de vagas na Alepi, de 30 para 24 cadeiras, mexeu no cálculo eleitoral e reacendeu um debate antigo, mas sempre atual, a viabilidade das chamadas “chapinhas”.
Alguns deputados ouvidos pelo GP1 mantêm aberta a possibilidade de recorrer a esse arranjo. A lógica é conhecida: formar chapas menores, concentrando votos entre menos candidatos e aumentando assim a chance de eleição de todos os envolvidos. Em um cenário de vagas mais disputadas, a alternativa volta a atrair atenção, especialmente de parlamentares que não integram as siglas mais robustas da base governista.
Do outro lado, o governador Rafael Fonteles trabalha para conter o movimento. O GP1 apurou que a estratégia do chefe do Executivo estadual é evitar a dispersão de votos no campo aliado e concentrar candidaturas em três partidos: PT, MDB e PSD. A engenharia proposta segue um modelo já testado em 2022, sob a articulação de Wellington Dias, que resultou em desempenho expressivo para a base governista.
O plano de Fonteles é claro: no Legislativo estadual, as vagas da base seriam disputadas apenas por PT e MDB; para a Câmara Federal, a composição ficaria restrita a PT e PSD. Trata-se de uma tática que privilegia partidos com maior estrutura e capacidade de mobilização, mas que também limita o espaço de manobra para lideranças que, fora desses núcleos, buscam viabilizar suas reeleições.
A movimentação reflete um dilema recorrente nas alianças políticas: a tensão entre a lógica coletiva e os projetos individuais. Para o governador, a concentração fortalece a base e evita o “desperdício” de votos que, em sistemas proporcionais, pode custar cadeiras ao grupo. Já para alguns parlamentares, manter a possibilidade das “chapinhas” garante uma rota alternativa em um tabuleiro que tende a se estreitar.
Com a meta declarada do PT de conquistar ao menos 15 cadeiras na Alepi e cinco na Câmara dos Deputados, somada à ambição do MDB e do PSD de ampliar suas bancadas, as negociações em torno da montagem das chapas deverão ser intensas nos próximos meses.
Caroline Vitorino
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