O xadrez político no Piauí começa a se mover com mais intensidade à medida que 2026 se aproxima. Se, de um lado, as pré-candidaturas ao Senado vão tomando forma, de outro, o Palácio de Karnak opera nos bastidores para preservar uma fórmula que, nas urnas, tem se mostrado infalível: a composição de uma coalizão ampla, agregando centro, esquerda e uma parcela ponderada da direita.
Essa aliança, que se consolidou com força a partir de 2018, vem sendo mantida sob um equilíbrio delicado. Naquela eleição, Wellington Dias (PT) liderou uma chapa que reuniu Marcelo Castro (MDB) e Ciro Nogueira (PP), numa combinação que ancorava diferentes espectros ideológicos e resultou em vitória expressiva. Com o afastamento de Ciro do grupo governista nos anos seguintes, o tabuleiro se redesenhou, mas a lógica da composição majoritária permaneceu.
Agora, com o governador Rafael Fonteles no comando do processo, a engenharia da próxima eleição precisa ser ainda mais calculada. A base governista sinaliza que pretende manter Marcelo Castro como candidato natural à reeleição ao Senado, enquanto tenta acomodar Júlio César (PSD), figura forte no municipalismo e tradicional aliado do petismo local. O desafio está em preservar a unidade do bloco sem perder musculatura eleitoral.
Nos bastidores, o clima é de atenção redobrada. A disputa por duas vagas ao Senado tende a ser uma das mais intensas do ciclo. Além de Castro e Júlio César, o nome de Ciro Nogueira, desta vez do lado oposicionista, volta à cena com força, buscando recuperar espaço e influência após o isolamento promovido por setores do governo estadual. Ciro tem apostado numa estratégia que une ação prática nos municípios, articulações nacionais e uma retórica mais combativa, sobretudo contra o PT.
Ao mesmo tempo, cresce na base governista a preocupação com os efeitos de uma eventual pulverização de apoios regionais. Alguns prefeitos, embora alinhados ao Karnak, têm flertado com outras lideranças, o que revela fissuras silenciosas num grupo que, em público, busca demonstrar coesão. O próprio PT tem adotado um tom mais firme para conter dissidências, e figuras como Fábio Novo, presidente da sigla no estado, têm deixado claro que a fidelidade partidária será cobrada.
Enquanto isso, o PSD, de Júlio César, articula sua presença como parte essencial da engrenagem majoritária. Com mais de 60 prefeituras, o partido quer ter papel de protagonismo na chapa e não abre mão da segunda vaga ao Senado. Por ora, o silêncio predomina. As articulações seguem longe dos holofotes, e a orientação é clara: conter ruídos, preservar aliados e evitar rupturas públicas. Mas o pano de fundo revela que as negociações já começaram, e 2026 será menos sobre nomes e mais sobre a capacidade de manter unida uma coalizão que já provou seu valor nas urnas, e que, se bem manejada, pode repetir o feito.
Caroline Vitorino
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