A Polícia Civil do Piauí, através da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, indiciou o proprietário da Clínica Veterinária DogStar, Antônio Wilson da Cruz Paz, pelo crime de maus tratos que resultaram nas mortes das cadelas Tina e Sara durante cirurgias de castração.
O inquérito foi concluído no dia 18 de agosto deste ano, pela delegada Adília Klein Acioli Guerra.
Segundo denúncia da tutora das cadelas, Tina e Sara foram levadas à clínica localizada no Parque Piauí, no dia 7 de julho de 2025 e passaram por cirurgia em 8 de julho. Contudo, ela relatou que no dia seguinte foi comunicada sobre a morte de Tina por enforcamento acidental com a coleira. Já Sara apresentou complicações pós-operatórias, incluindo apatia, vômitos, desidratação e infecção, indo a óbito em 12 de julho em um hospital veterinário.
Depoimentos colhidos durante a investigação apontaram que os procedimentos cirúrgicos foram realizados por profissional habilitada.
O que disse o proprietário
À polícia, Antônio Wilson esclareceu que não é veterinário, mas proprietário da clínica, e que os procedimentos cirúrgicos são realizados por profissionais habilitados, todos veterinários. Afirmou que a morte de Tina decorreu de acidente por enforcamento, e que Sara apresentou complicações infecciosas pós-cirúrgicas, tendo sido encaminhada para atendimento em outras clínicas.
O que disse a veterinária
A médica veterinária Aline Pereira, responsável pelas cirurgias, confirmou que realizou a ovariohisterectomia em ambas as cadelas, sem intercorrências intraoperatórias. Esclareceu que a clínica não possui internação 24h e que a morte de Sara poderia estar relacionada a complicação pós-operatória.
Ela declarou que não foi comunicada do estado de saúde das cadelas após a cirurgia e garantiu jamais ter enfrentado caso semelhante em sua prática profissional.
Exame
O exame necroscópico de Sara indicou hemorragia intra-abdominal subaguda decorrente de falha na hemostasia durante o procedimento cirúrgico. No caso de Tina, a morte foi considerada acidental, embora a cadela tenha permanecido presa a uma coleira por várias horas após a cirurgia, sem a devida assistência.
O relatório policial apontou que, embora não haja evidência de dolo específico para causar sofrimento, houve negligência, omissão e falhas na gestão da clínica que contribuíram para o óbito dos animais.
Indiciamento
Antônio Wilson foi formalmente indiciado por maus-tratos a animais com morte do animal, tipificado no Art. 32, §2º, da Lei nº 9.605/98, que trata dos crimes contra o meio ambiente.
O inquérito agora será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.
Outro lado
Procurado pelo GP1, o empresário Antônio Wilson afirmou que, em breve, irá se manifestar e esclarecer as informações acerca da morte das duas cadelas em sua clínica veterinária.
Carolina Matta
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