Após 12 anos de trabalho na Câmara Municipal de São João da Serra, Werlene Lima foi demitida do posto de secretária-geral em meio a episódios de tensão com o presidente da Casa, o vereador Raimundo Coimbra (MDB). Ela o acusa de ameaça e assédio moral, episódios esses que a ex-funcionária possui registrados e são investigados pela Polícia Civil do Piauí.
Werlene Lima concedeu entrevista ao GP1 nesta sexta-feira (27), em que relatou algumas das situações de coação e intimidação de autoria do vereador Raimundo Coimbra. Com a repercussão das denúncias e a abertura de uma comissão processante na Câmara para investigar o presidente, a ex-secretária-geral diz que decidiu ficar em Teresina, com medo de represálias e ameaças. “O perfil dele é esse, ele é intimidador, ele é narcisista, ele é vitimista. Ele faz as coisas com a pessoa e depois ele se vitimiza como se estivesse sofrendo perseguição”, desabafou a mulher.
Logo no início da conversa, a ex-funcionária da Câmara traça uma linha do tempo dos acontecimentos em que se sentiu coagida e perseguida pelo vereador. Para ela, tudo começou quando ela recusou dar parte de seu salário. “Dia 7 de outubro, ele [Raimundo Coimbra] pediu o meu 13º salário para eu comprar um letreiro para a Câmara, que estava em reforma, e ele disse que queria que desse porque não podia mais gastar sem licitação, e eu recusei. No dia 8, quando eu cheguei na Câmara, ele já estava alterado e começou uma discussão em que ele argumenta que sempre foi assim, que era contra rachadinha, que ele diz que ocorre, mas estava pedindo dinheiro dos funcionários”, afirmou Werlene Lima.
Intimidação
Segundo Werlene Lima, no dia 28 de novembro houve uma sessão na Câmara em que houve discussão após vereadores pedirem que a Casa fizesse uma doação, a qual a vítima diz que foi constrangida publicamente pelo presidente, ameaçando demiti-la. Ela, como secretária-geral, elaborava requerimentos de outros vereadores, o que a ex-funcionária diz que Raimundo Coimbra não aceitava. “Se tiver quebra de sigilo telefônico, vão ver vários assédios morais que ele cometeu comigo por telefone simplesmente por eu acatar fazer requerimentos a pedido de outros vereadores”, pontuou a ex-funcionária.
Ameaça
Nesse mesmo mês, Werlene comunicou a Coimbra que um funcionário havia dito que “se fosse demitido, iria deletar todos os arquivos dos computadores da Câmara”. “Ele [funcionário] disse isso porque, desde novembro, o presidente dizia que em dezembro iria tirar todos os funcionários, então dentro da Câmara isso já era um assunto corriqueiro. Depois disso, eu sugeri ao vereador que colocasse senha no computador”, descreveu a mulher.
Após esse episódio, ela contou que, em outro momento, quando Coimbra perguntou sobre as senhas nos computadores, Werlene disse: “Se você for prejudicado por algum documento que eu não enviei, você pode me denunciar no Tribunal de Contas". Raimundo Coimbra responde: “Não, eu não faço isso não, eu só mato. Se eu for prejudicado por alguém por alguma coisa que eu não fiz, eu mato na hora”, declarou.
Denúncia na Casa da Mulher Brasileira
Em 1º de dezembro, Werlene Lima procurou a Casa da Mulher Brasileira, em Teresina, para registrar um boletim de ocorrência contra o presidente da Câmara. Com o psicológico bastante abalado, ela recebeu um atestado, mas ao retornar ao trabalho, não teve coragem de ir sozinha à Casa com medo da reação do vereador. “Fui para o trabalho com meu marido justamente porque eu estava com medo, pelo histórico dele. Ele já é conhecido por esse perfil. E assim que retornei, ele me intimidou de novo”, frisou a ex-secretária.
O advogado Marcos Vinícius Brito afirmou que as recentes acusações feitas pelo presidente da Câmara sobre a índole da ex-funcionária também podem se tornar alvos de processo judicial. “Nós queremos dar a ele o devido processo legal. Queremos que ele se defenda, mostre, traga a documentação, traga os requerimentos das supostas farras de diárias, de rachadinhas. Essa moça não saía de casa com medo dele. Nós queremos as provas. Aqui não tem nada de oferecer salário, muito pelo contrário, foi pedido mesmo, e é concussão”, ressaltou o advogado.
Suposta perseguição política
Sobre a declaração de Raimundo Coimbra em que ele afirmou ser alvo de perseguição política, Werlene Lima rechaçou esta hipótese. “Se fosse uma questão política, só teria um lado envolvido. Como oposição e situação estão do mesmo lado? São coisas que não se sustentam. As coisas que ele vem fazendo são de muito tempo, que eu venho gravando, e eu não tinha denunciado ainda porque o limite foi a ameaça de morte”, relembrou a ex-funcionária da Câmara.
Outro lado
O Portal GP1 publicou reportagem em que o presidente da Câmara Municipal de São João da Serra, vereador Raimundo Coimbra (MDB), apresenta sua versão dos fatos. Ao longo da entrevista, ele rebateu a denúncia de assédio moral feita pela ex-secretária da Casa e disse estar sendo alvo de perseguição política, pois, segundo ele, vem corrigindo irregularidades administrativas desde que assumiu o comando do Legislativo municipal, no início de 2025.
Entre as medidas mencionadas por eles estão a exoneração de supostos funcionários fantasmas e cortes de diárias, que o vereador disse serem pagas sem a devida justificativa aos parlamentares da Casa.
A reportagem completa você confere clicando aqui.
Carolina Matta
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