O presidente da Câmara Municipal de São João da Serra, vereador Raimundo Coimbra (MDB), concedeu entrevista ao GP1 nessa quinta-feira (26) e apresentou sua versão sobre a denúncia de assédio moral feita pela ex-secretária da Casa, Werlene Lima. A acusação motivou a instalação de uma comissão para abrir um processo que pode culminar na cassação do mandato do parlamentar.
À nossa reportagem, Raimundo Coimbra afirmou que está sendo alvo de perseguição política após, segundo ele, corrigir irregularidades administrativas desde que assumiu o comando do Legislativo municipal, no início do ano passado.
De acordo com o vereador, as acusações surgiram depois que ele adotou medidas como a exoneração de supostos funcionários fantasmas e o corte de diárias que, conforme afirmou, eram pagas a vereadores sem a devida justificativa. O presidente também declarou ter identificado indícios de um esquema de rachadinha envolvendo servidores e parlamentares.
“Chega a ser imoral, eu fico doente, não durmo mais, porque saber que você não fez nada de errado, que não roubou, que está passando por isso porque tinha que roubar para dar a eles. As pessoas dizem que eu fui contra o sistema, porque não dividi, porque não roubei o povo de São João da Serra sabe”, ressaltou Raimundo Coimbra.
Denúncia de ex-secretária
Ao comentar especificamente a situação da ex-secretária Werlene Lima, Raimundo Coimbra disse não compreender a mudança de postura dela após o início da sua gestão. Segundo ele, ao assumir a presidência, solicitou a devolução de uma motocicleta pertencente à Câmara que estaria sob uso da ex-servidora. O presidente também mencionou mudanças no controle de senhas administrativas da Câmara.
“A senha é no celular do presidente e no computador da Câmara. Ela pediu para eu colocar [a senha] no aparelho dela e eu falei: ‘como assim?’. Ela disse que sempre teve a senha do presidente e a senha do tesoureiro, e eu respondi: ‘não, a senha é minha’. Ela chorou nesse dia, dizendo que eu estava desconfiando dela”, relatou o político.
Rachadinhas e funcionários fantasmas
Raimundo Coimbra também disse ter identificado suposto esquema de rachadinha e mencionou a declaração da ex-secretária, que teria admitido devolver parte do salário ao vereador que a indicou para o cargo. Ele não mencionou o nome do parlamentar. “Identifiquei. Na conversa, ela fala: ‘Eu devolvia, mas desde dezembro eu não devolvo mais. Os outros podem devolver’. Vou entregar ao Ministério Público, ela diz que não era culpa dela, que eram os vereadores. Ela que entrega um esquema de antes, que eu tentei e consegui [acabar], mas custou caro. Hoje o povo sabe que a Câmara tem dinheiro”, frisou.
Segundo o parlamentar, Werlene Lima teria dito que o esquema sempre existiu na Câmara. “Ela disse: ‘aqui sempre teve acordo e eu não vou devolver a minha parte’. Ela relata na denúncia dela. Ela recebia dois salários, mas devolvia para vereador tal. Eu disse: ‘eu não concordo’. É uma prática antiga, você é vereador, coloca um funcionário e fica com a metade”, colocou.
O vereador disse ainda ter descoberto servidores recebendo sem exercer função. “Tinha funcionários que eu nem sabia que recebiam [salário], vou mostrar para o povo e para a Justiça, vou lutar até o fim e contra o sistema. Passei o pente fino, o último eu exonerei no mês passado. Agora eles dizem que vão moralizar a Casa, que vão colocar alguém para fora”, afirmou.
Sucessão na prefeitura
Por fim, Raimundo Coimbra também mencionou um suposto movimento de vereadores que estariam mirando a cadeira do Executivo Municipal, considerando que o prefeito Joãozinho Manu (PSD) e seu vice tiveram o mandato cassado e, caso a decisão seja confirmada nas instâncias superiores, caberia ao presidente da Câmara assumir interinamente, até a realização de nova eleição.
“Seria o vice-presidente Mariano, que quer dar o pulo, não para minha cadeira, ele quer dar um pulo mais alto para a prefeitura. Ele quer ser prefeito. Ninguém nem sabe se o prefeito vai ser cassado”, concluiu o presidente da Câmara.
Outro lado
O Portal GP1 também ouviu a ex-secretária da Casa, Werlene Lima, sobre as denúncias contra o vereador Raimundo Coimbra. Em entrevista, ela mostrou ter gravações e documentos que comprovam a coação, intimidação, ameaça e assédio moral. Ela declarou que passou por grande trauma psicológico nos últimos meses em que trabalhou na Câmara Municipal de São João da Serra, e que hoje vive em Teresina com medo de represálias por parte do presidente Raimundo Coimbra.
Em relação às declarações do vereador contra a ex-secretária, Werlene Lima afirmou que também irá procurar a Justiça para ele comprovar todas as acusações feitas contra ele. Nesse mesmo contexto, a ex-funcionária reiterou que, nos 12 anos que trabalhou na Casa, ela não participou de nenhum esquema de rachadinha, como exposto por Raimundo Coimbra em entrevista recente, e que desde que ele assumiu a Presidência da Câmara, não houve qualquer requerimento de vereadores solicitando diárias, refutando o que o presidente chamou de “farra de diárias”.
A entrevista completa com a ex-secretária Werlene Lima, cujas denúncias originaram comissão processante pelo impeachment de Raimundo Coimbra da Presidência da Câmara de São João da Serra, você confere em reportagem publicada ainda nesta sexta-feira (27) pelo Portal GP1.
Thais Guimarães
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