O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (23) que o Brasil atuará para viabilizar a venda de três aeronaves K-190 da Embraer para o Governo de Angola, com financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“A Embraer quer vender três aviões K-190 para Angola, e o Brasil vai fazer gestão junto à Embraer e ao BNDES para que essa venda seja concretizada. Precisamos fazer um esforço para ajudar Angola a adquirir essas aeronaves”, declarou Lula, durante visita oficial do presidente angolano João Lourenço a Brasília.
O anúncio foi feito em meio às celebrações da Semana da África no Brasil e ao Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, realizado no Palácio Itamaraty com representantes de diversas nações africanas.
Durante o encontro, os dois países assinaram acordos de cooperação. Lula ressaltou que a Embraer está disponível para colaborar na modernização da frota aérea angolana, além de reforçar o compromisso do Brasil com a parceria bilateral no setor aéreo.
Apesar do discurso de cooperação, o anúncio gerou reações cautelosas. Nos governos anteriores do próprio Lula, Angola foi um dos principais destinos de investimentos brasileiros por meio do BNDES. O país africano recebeu cerca de US$ 3 bilhões em financiamentos, especialmente para obras de infraestrutura executadas por empreiteiras brasileiras como a Odebrecht.
Essas operações se tornaram alvo da Operação Lava Jato, que revelou um esquema de corrupção envolvendo pagamento de propinas a autoridades angolanas para favorecer empresas brasileiras. As investigações apontaram que a Odebrecht atuava em conluio com agentes públicos para garantir contratos e vantagens comerciais.
Mesmo diante do histórico, Lula reforçou a intenção de retomar a política de exportação de bens e serviços para países em desenvolvimento, com foco especial no continente africano.
Rodrigo Mendes
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