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Inquérito investiga fraudes na produção de grãos no Sul do Piauí

A fraude consistia na adulteração da classicação de grãos transgênicos produzidos na cidade de Bom Jesus.

Um inquérito policial está investigando um esquema de fraudes na classificação de grãos produzidos no Sul do Piauí. Os fatos envolvem produtores da cidade de Bom Jesus, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com o MPF, a fraude consistia na adulteração da classificação de grãos produzidos no Piauí adquiridos pela empresa CHS Comércio, Serviços e Soluções Agrícolas LTDA, sediada no estado do Goiás, que foi fechada.

Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilPlantação de soja
Plantação de soja

Os grãos comercializados eram transgênicos, mas eram classificados como convencionais, a fim de evitar o pagamento de royalties pela tecnologia patenteada responsável pela modificação genética.

“Em síntese, o esquema fraudulento funcionava entre os produtores da região que vendiam grãos com tecnologia transgênica e os funcionários da empresa CHS Comércio, Serviços e Soluções Agrícolas LTDA, responsáveis por classificar os grãos como convencionais, evitando assim o desconto de aproximadamente 7% sobre o valor da venda, que seria destinado ao pagamento de royalties à empresa detentora da patente da ‘Tecnologia Intacta RR2 PRO’”, diz trecho da manifestação do MPF.

Início da investigação

O inquérito da Polícia Federal começou a tramitar no Paraná, a partir de desdobramentos da Operação Romanos, uma etapa da Operação Carne Fraca, que desarticulou, em 2017, um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e grandes empresas de proteína animal, acusadas de adulterar carne e corromper fiscais.

No curso das diligências empreendidas no âmbito da Operação Romanos, foram apreendidos na sede da empresa CHS vídeos que sugeriam a ocorrência de fraudes no recebimento de grãos contaminados

Posteriormente, foi verificado que a fraude estava relacionada à adulteração na classificação dos grãos.

Declínio de competência

Visto que os grãos eram produzidos no Piauí, o MPF, por meio do procurador da República Raphael Otávio Bueno Santos, pediu o declínio de competência para a Justiça do Estado do Piauí, considerando ainda que não há indícios de envolvimento de servidores federais e da prática de outro crime federal.

O procurador também não vislumbrou conexão entre os fatos investigados nas operações Carne Fraca e Romanos, mesmo os primeiros indícios sendo obtidos a partir dessas ações policiais.

Em decisão proferida no dia 28 de fevereiro deste ano, o juiz federal Marcus Holz acolheu a manifestação ministerial e encaminhou os autos do processo à Justiça do Estado do Piauí, mais especificamente para o juízo da Comarca de Bom Jesus.

No dia 11 de julho, a 1ª Vara da Comarca de Bom Jesus emitiu certidão comunicando a conclusão do processo para despacho.

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