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Vereador do PT roubou o PCC e foi jurado de morte pela facção

Segundo as autoridades, o parlamentar teria desviado recursos ligados à facção criminosa.

O vereador de São Paulo, Senival Moura (PT), é apontado pela Polícia Civil de São Paulo como alvo de uma investigação que revela um episódio incomum envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as autoridades, o parlamentar teria desviado recursos ligados à facção criminosa, chegou a ser jurado de morte pelo grupo e só teria escapado da execução após ressarcir os valores.

A informação foi divulgada nessa quinta-feira (26) pelo diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Ronaldo Sayeg, durante entrevista coletiva sobre a operação conjunta realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC.

De acordo com Sayeg, integrantes da organização criminosa decidiram executar o vereador após suspeitarem que ele havia se apropriado de recursos da facção. A ordem, no entanto, teria sido cancelada depois que Senival Moura devolveu o dinheiro.

Foto: Afonso Braga/Rede Câmara SPSenival Moura
Senival Moura

A declaração foi feita no contexto da operação que resultou na prisão do parlamentar e de outros investigados. A força-tarefa cumpriu mais de 100 mandados de busca e apreensão em São Paulo, na Região Metropolitana e em Minas Gerais, além de obter na Justiça o bloqueio de cerca de R$ 194 milhões em bens e valores.

As investigações apontam que a empresa de ônibus Transunião teria sido utilizada para ocultar e movimentar dinheiro do PCC. Segundo o inquérito, Senival Moura mantinha ligação com o grupo criminoso enquanto presidia a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo.

A apuração também indica que integrantes da facção influenciavam decisões internas da concessionária e direcionavam recursos para beneficiar membros da organização criminosa.

A investigação teve origem no assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, morto a tiros em 2020, na zona leste da capital paulista. Conforme a Polícia Civil e o Ministério Público, o crime levou à descoberta de indícios de que a empresa era utilizada para lavar dinheiro da facção.

Além de Senival Moura, a operação teve como alvos Devanil de Souza Nascimento, conhecido como "Sapo", apontado como homem de confiança do vereador, e Lourival de França Monário, presidente da Transunião.

Em nota, a defesa do vereador negou qualquer envolvimento dele com o PCC ou com atividades criminosas. Os advogados afirmaram ter recebido a prisão "com indignação" e sustentaram que o parlamentar irá comprovar sua inocência no decorrer das investigações.

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