A investigação que resultou na prisão do empresário José Felipe da Cunha Filho aponta a existência de um suposto esquema de movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo envolvendo pelo menos três empresas sediadas em Teresina. Segundo a Polícia Federal, a prática tinha características compatíveis com ocultação e dissimulação de recursos, uma das modalidades do crime de lavagem de dinheiro.
De acordo com documentos obtidos pelo GP1, José Felipe era o responsável por realizar sucessivos saques de alto valor nas contas das empresas Cerro Construções e Sinalização Ltda, Conceito Construções e Limpeza Ltda e Diagonal Locação de Veículos Ltda. Somente para o dia 19 de junho, estavam previstos três saques que somavam R$ 1,5 milhão, sob a justificativa de pagamento de fornecedores e funcionários.
Como funcionava o esquema investigado
Conforme a apuração da Polícia Federal, as empresas solicitavam previamente ao banco o provisionamento dos valores que seriam retirados em espécie. Em seguida, José Felipe comparecia às agências para sacar o dinheiro e transportá-lo fisicamente.
O que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de José Felipe aparecer como sacador recorrente das contas das três empresas, apesar de não possuir vínculo societário, empregatício ou funcional com nenhuma delas, segundo consultas realizadas pela PF em bancos de dados oficiais. Ainda de acordo com a corporação, ele possui perfil ocupacional de vigilante, considerado incompatível com a frequência e o volume das operações financeiras realizadas.
Os investigadores afirmam que a utilização constante de dinheiro em espécie dificultaria o rastreamento da destinação dos recursos, criando obstáculos para órgãos de controle financeiro acompanharem o caminho do dinheiro após a retirada das contas bancárias.
Saques milionários já vinham sendo monitorados
O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf aponta que José Felipe já havia realizado outras operações semelhantes anteriormente. Um dos registros mostra um saque de R$ 600 mil efetuado em junho deste ano em conta da Cerro Construções. Além disso, foram identificados novos provisionamentos que totalizavam R$ 2,1 milhões para retiradas futuras.
A Polícia Federal também destacou que os recursos movimentados pelas empresas investigadas possuem possível relação com contratos públicos, circunstância que reforçou as suspeitas de lavagem de capitais e motivou a abertura da investigação.
Flagrante com R$ 1 milhão
Na sexta-feira (19), após receber alerta do Coaf, equipes da PF passaram a monitorar uma agência do Banco do Brasil no Centro de Teresina. José Felipe foi abordado ao sair do local carregando uma mochila preta. Dentro dela, os agentes encontraram R$ 1 milhão em espécie, distribuídos em maços de notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200.
O dinheiro foi apreendido e o empresário acabou autuado em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro. Apesar disso, durante audiência de custódia realizada neste sábado (20), a Justiça homologou a prisão, mas concedeu liberdade provisória ao investigado mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Brunno Suênio
Ver todos os comentários | 0 |