A Polícia Civil do Piauí deflagrou nesta segunda-feira (22) a segunda fase da Operação Extrema Confiança, que investiga um grupo suspeito de comandar o maior esquema de pirâmide financeira já identificado no estado. A ação resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva no Maranhão e de medida cautelar em Teresina.
Nesta fase, foram presos Elison Araújo Abreu, de 40 anos, e Igor de Sousa Silva, de 28 anos, localizados nas cidades de Timon e São Luís. Em Teresina, foi cumprida uma medida cautelar diversa da prisão contra Josué de Lima Resende, de 28 anos, apontado como um dos envolvidos no esquema.
A Polícia Civil estima que mais de 300 pessoas tenham sido vítimas do esquema. O prejuízo total ainda está sendo calculado, mas as movimentações financeiras identificadas até o momento ultrapassam R$ 440 milhões.
A operação foi coordenada pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, com apoio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Piauí e da Polícia Civil do Maranhão. As investigações estão sob responsabilidade do delegado Luciano Alcântara.
Promessas de altos lucros atraíam investidores
Segundo a investigação, os suspeitos atraíam investidores com promessas de rentabilidade mensal de até 10% em supostas operações realizadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3). Para dar aparência de legalidade ao negócio, foi criada a empresa "XTREME TRADE", registrada na Junta Comercial do Piauí.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava nos moldes de um "Esquema Ponzi", modelo de fraude em que os valores aportados por novos participantes são utilizados para pagar rendimentos aos investidores mais antigos, criando uma falsa impressão de sucesso financeiro.
As apurações apontam que a estrutura atuou por cerca de dois anos e meio e alcançou centenas de pessoas, principalmente nos estados do Piauí e Maranhão.
Polícia mira patrimônio dos investigados
Além das prisões, a operação tem como foco atingir o patrimônio dos envolvidos. Conforme a Polícia Civil, a estratégia consiste em rastrear, bloquear e sequestrar ativos financeiros para enfraquecer economicamente o grupo investigado.
O delegado-geral Luccy Keiko afirmou que os elementos já reunidos apontam para a prática de crimes como estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. "A Operação Extrema Confiança atua com base na repressão financeira qualificada. Isso significa que, além das prisões, a estratégia foca na asfixia patrimonial do grupo, utilizando técnicas avançadas de investigação para rastrear, congelar e sequestrar ativos, descapitalizando a estrutura financeira do grupo criminoso", destacou o delegado-geral.
Inquérito está em fase de conclusão
Segundo Luccy Keiko, a investigação caminha para a fase final e deverá resultar no indiciamento formal dos envolvidos. "O inquérito segue na sua fase de conclusão. Com a elaboração do relatório final, o delegado Luciano Alcântara formalizará o indiciamento dos envolvidos e a capitulação dos crimes praticados. O montante total desviado pelo esquema segue em análise e os detalhes contábeis serão divulgados assim que a auditoria for finalizada", informou.
O nome da operação faz referência à confiança depositada pelas vítimas nos responsáveis pelo golpe. Conforme a investigação, algumas pessoas chegaram a investir economias acumuladas ao longo de toda a vida acreditando nas promessas de lucro apresentadas pelo grupo.
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Izabella Furtado
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